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Abade de Baçal
(Francisco Manuel Alves)
Figura proeminente em Trás-os-Montes no século XIX, nasceu em Bragança,
a 9 de Abril de 1865. Era filho de agricultores - Francisco Alves
Barnabé e Francisca Vicente. O seu nome próprio era Francisco Manuel
Alves, tendo feito o curso Teologia no Seminário de São José de Bragança
e sido ordenado em 1889.
Primeiramente pároco de Mairos, passou depois para a paróquia da sua
terra, Baçal, dedicando-se a estudo arqueológico e histórico da região.
Os seus estudos foram muito abrangentes, desde a numismática e
etnografia à epigrafia, arqueologia e paleografia, pretendendo publicar
toda classe de escritos que pudessem ter importância para a região,
preservando a sua memória e trazendo à luz aspectos desconhecidos. Na
altura, e com os meios que possuía, esta tarefa era grandiosa, o que o
torna uma personagem de valor excepcional.
Autodidacta, com um gosto pelas antiguidades despertado pela sua
tia, Luzia Alves, foi membro da Associação dos Arqueólogos Portugueses,
do Instituto Etnológico, da Academia das Ciências e de outros do
estrangeiro.
Pelos notáveis conhecimentos que possuía nomearam-no em 1925 director do
Museu Regional de Bragança, tendo sido denominado este mesmo museu em
sua honra dez anos depois.
Recebeu uma condecoração do Grande Oficialato da Ordem de Santiago como
recompensa do trabalho desenvolvido em prol do progresso cultural
transmontano.
Faleceu a 13 de Novembro de 1947, em Bragança.
Escritor extremamente prolífico, entre as suas obras mais importantes
contam-se as Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança
(1947), Arqueologia e Etnografia (1947), Castro de Avelãs,
Mosteiro Beneditino (1910), Restauração de 1640 no
Distrito de Bragança, 1940, Correcção de uma notícia errónea dos
escritores espanhóis referentes às Guerras de Restauração (1940),
Catálogo dos Manuscritos de Simancas, respeitantes à História
Portuguesa (1933), Lista de Provesende e Sepulcros Luso -Romanos
(1938), Notabilidades antigas e modernas da villa de Anciães
(1916) e Arqueologia, Etnografia e Arte (1934).
Destacam-se também as suas inúmeras participações nos mais variados
periódicos e revistas de todo o país.
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