|
A cultura não admite que a raia possa, à
custa dos marcos divisórios das pátrias, ser barreira estanque ou
qualquer coisa a assemelhar-se a qualquer muro de Berlim. É impossível
que a raia estorve o convívio dos povos, sobretudo quando os ligam laços
de interesses económicos, sociais, religiosos, familiares até, e
portanto de sangue, de amor, além de tudo o mais que se possa imaginar e
da necessidade social de boa vizinhança, de troca de tudo quanto seja
vantajoso em trocar-se nesse mercado de plena reciprocidade. (...)
A Murinheira é uma canção certamente de
origem galega. Encontrei-a em Cimo da Vila. Cantou-a a senhora Adosinda
Preques.
Em Quintã, concelho de Vila Real, falava-se
muitas vezes na murinheira, como coisa de tempos idos. E empregava-se a
alusão ao canto ou à dança dela, como fazendo parte de chacota ou de
ameaça contra alguém.
Exemplo:
Ó filhinho: se te não portas bem, danças a
murinheira... Isto é: levas ou apanhas no pêlo.
E esta: espetou-lhe tais vergastadas pelas
pernas adiante... Fez-lhe dançar a murinheira bem dançada!
E foram todas poucas!
Merecia mais!
Nos dicionários portugueses de que disponho,
incluindo o Lello Universal, a murinheira é ignorada.
O dicionário galego apresenta-a desta forma:
"Murinheira", s.f., "Baile popular que executam um ou mais pares //
Composição musical com que se faz esse baile...".
O dicionário espanhol que tenho em uso,
também desconhece a murinheira.
Ainda há muitas pessoas no norte de
Trás-os-Montes que ouviram cantar e cantaram a murinheira, assim como a
viram dançar ou ainda mesmo elas a dançaram. |