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Órfão de pai aos doze anos, passou a tocar violoncelo em teatros, cafés
e bailes até se tornar compositor e regente (...). Através do estudo do
violão, teve contato com os chorões do Rio de Janeiro.
Este contato com o popular marcaria toda sua vida daí em diante,
desenhando uma busca pelo folclórico, que se delineou sobre a colheita
de material regional em todos os cantos do Brasil, anotados em viagens
que fazia desde os dezoito anos. Essa procura incansável resultou em um
acervo respeitável do cancioneiro popular - parte registrado no seu
"Guia Prático" para o ensino do canto orfeônico nas escolas. (...)
Utilizando assiduamente o material folclórico, absorveu dele indicações
preciosas e aproximou-o do "nosso verdadeiro clima de alma, de atmosfera
dentro da qual são geradas nossas determinantes expressionais”. Mas
Villa-Lobos não se restringiu ao tema popular, sendo sua obra, ao
contrário, extremamente prolífica. Suas primeiras composições traziam a
influência dos estilos europeus da virada do século - como o alto
romantismo francês. Com suas Danças Características Africanas,
para piano, e com os bailados Amazonas e Uirapuru começa a
desmoronar-se o molde europeu.(...)
Passeando pelo folclore Villa-Lobos nos deu as Cirandas, no
Ciclo Brasileiro, música pianística de forte influência
impressionista, inspiradas diretamente em motivos folclóricos, Vamos
Atrás da Serra Calunga e Teresinha de Jesus.
Mas é com seu Guia Prático, anteriormente citado, criado a partir
de harmonizações suas para músicas do cancioneiro popular, arranjadas
para o ensino de canto coral, que o aproveitamento do folclore é mais
direto. É nesse ponto que se desenrola toda preocupação de Villa-Lobos
com a educação, e toda sua vontade de tornar acessíveis as riquezas do
folclore aos alunos de educação musical, em que ele depositava tantas
esperanças. |