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É
bem provável que para quem já tenha ouvido a sua música, a primeira
coisa que lhe venha a cabeça quando falamos em Bela Bartók (1881-1945)
seja "música folclórica" ou "compositor nacionalista". Sem
dúvidas ele foi uma das personalidades musicais mais importantes e
influentes do século XX e a meu ver, junto à Kodaly, o compositor
húngaro mais importante da história da música.
Bartók nasceu em uma
cidade húngara (hoje Romênia) e começou desde cedo a estudar piano com
sua mãe (aos 5 anos de idade). Durante o final do séc. XIX, e começo do
XX, o crescimento acelerado das cidades acentuou cada vez mais a
distância entre a população urbana e rural, então logo após graduar-se
na Royal Academy of Music (1901), Bartók resolveu resgatar a verdadeira
música húngara, embarcando no que hoje chamamos de etnomusicologia
[Estudo da música cultural (folclórica)].
Bela Bartók e Zoltán
Kodály viajaram durante décadas pelo no interior da Hungria e países
vizinhos, recolhendo milhares de músicas folclóricas. Com suas
pesquisas, eles mostraram ao mundo, que a concepção de "música húngara"
da época, estava completamente errada (ex: Danças húngaras de Liszt). O
que os ocidentais chamavam de "música húngara" era, na verdade, a música
dos ciganos húngaros (totalmente diferente da verdadeira música
húngara). (...)
Como descrever o estilo de
Bartók? As obras de Bartók logicamente tiveram várias fases diferentes e
foram evoluindo com o tempo mas em geral ele consegue misturar elementos
clássicos (primeiras composições), românticos (primeiras composições)
contemporâneos e logicamente tudo isso marcado pelo folclore
húngaro. (...)
A música de Bartók sempre
é marcada pelo folclore húngaro, e diferentemente dos
compositores românticos (que tentavam enquadrar a obra folclórica
nas "regras" da música erudita da época), Bartók ignorava as
"irregularidades" inatas da música folclórica e sempre compunha
obras "fielmente húngaras". (...) |