«Aquilo
a que se convencionou chamar Cultura Popular viu alguns dos
seus conteúdos vertidos em colecções etnográficas e em museus
etnográficos. Este movimento de cristalização da Cultura Popular
conheceu alguns momentos especialmente significativos ao longo deste
século, em particular em Portugal.
Um
desses momentos prende-se com a actividade desenvolvida por um grupo
de investigadores intimamente associados à realização do que
actualmente se chama Museu Nacional de Etnologia. No entanto, antes
dessa fase é possível descortinar outras etapas importantes no
processo de valorização da Cultura Popular. Tal é o caso dos
processos da utilização nacionalista dos símbolos e dos objectos de
cultura popular realizados pelo Estado Novo, em especial ao longo
dos finais da década de 30 e no decénio seguinte. O
Museu de Arte
Popular nasce nesta sequência e permanece até hoje inalterado em
muitas das suas características. Mais recentemente é possível
observar um movimento endógeno de preservação da herança da cultura
popular, especialmente no que respeita à cultura material dos meios
rurais que vão deixando de o ser.»
(Sérgio
Lira, in «Colecções
Etnográficas e Museus Etnográficos: objectos e memórias da Cultura
Popular» - comunicação apresentada ao Congresso de
Cultura Popular na secção Etnografia e Património
Etnográfico, Maia, Dezembro de 1999 - Resumo)
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