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É certo que, não sendo o Corpus Christi uma
tradição gerada em Penafiel, é mais que certo ser Penafiel a única
cidade e concelho que mantem vivas, no contexto nacional, tais
manifestações religioso-populares que nasceram na longínqua idade média.
Nós, gestores da cidade deste tempo, sempre acreditamos num modelo de
desenvolvimento da nossa comunidade sintonizada com os próprios valores
culturais. Por isso, nos dedicamos afincadamente à preservação do
património e das referências identitárias. Acreditamos no seu potencial
de reforço do sentido de pertença a uma comunidade.
É nesse quadro que se insere o renascimento dos bailes que se mantinham
na memória de muitos, mas que o tempo conduziria inevitavelmente para o
baú do esquecimento.
Agradeço a todos os que connosco colaboraram para esse objetivo:
pessoas, associações e entidades, que ao longo deste livro serão
reveladas.
A par da revitalização dos bailes, também este livro se tornará num
importante documento para o conhecimento e compreensão da nossa História
e das nossas ricas tradições.
Alberto Santos, Presidente da Câmara
Municipal de Penafiel, in Introdução
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É do maior interesse e oportunidade o
trabalho que o Dr. José
Alberto Sardinha agora dedica às festas do Corpo de Deus em
Penafiel, na sequência do fecundo labor com que tem valorizado o nosso
património cultural popular. Escrevo “popular” no sentido mais original
e autêntico da palavra, referindo o que é de nós todos, os portugueses,
e daqueles que connosco vieram ou vêm conviver.
Isto mesmo se particulariza com as festas do Corpo de Deus em Penafiel,
como foram, persistem e ressurgem. Sobrevêm duma Idade Média a vários
títulos distante. Éramos então um povo que esquecemos, mais visual do
que conceptual, mais tátil do que reflexivo, mais ouvinte do que lente.
Também mais vizinho do que aglomerado, mais rural do que urbano ou
suburbano, mais familiar e grupal do que individual e subjetivo. Nem
melhor nem pior, éramos realmente diferentes. Do que herdámos, usamos
pouco, quase como das antigas arcas de quando havia sótãos.
D. Manuel Clemente, Bispo do Porto, in
Prefácio. |