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Os números nas
orações do povo
" Os números mais vulgares
nas orações são 3 e 7 ou então o número genérico de 100 e 1000:
- Santa Cecília tinha três filhas
- Que lhe desse
nobe boltas (múltiplo de três)
- Com três
pregos encrabados
- Às três
missas do Natal
- Quem esta oração
dicher três bezes ao dia
- Sete anjos nela
encontrei
- Sete anjinhos a
rezar
- Sete candeias a
alumiar
- Cem bezes me
persignei
- Cem bezes o chão
beijei
- Onze mil
candeias da S. S. Trindade
- Como de areias
tem o mar
Estes números,
relacionando-se com dogmas e preceitos da Igreja, escondem outra
doutrinação. O dogma da S. S. Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo;
as virtudes teologais: fé, esperança, caridade; os inimigos da alma:
mundo, demónio e carne; os pecados capitais (7): soberba, avareza, luxúria,
ira, gula, inveja, preguiça e as virtudes que lhe são opostas:
humildade, liberalidade, castidade, paciência, temperança, caridade,
diligência; as obras de misericórdia que são catorze, mas sete
corporais e sete espirituais; os sete sacramentos da Santa Madre Igreja.
Pelos números 100, 1000 e pelas expressões «tantos
são» e «mais do que areias tem o mar» chegamos à corte celestial e
à multidão incontável dos anjos, das almas bem aventuradas, daqueles
de quem é o reino dos céus."
José Augusto da Silva Vieira, in Literatura
Popular em Terras de Vila Real - Cadernos Culturais - 2ª
Série - nº 3 - 1987 - Câmara Municipal de Vila Real |