[ INÍCIO ]   [ Sobre o Portal ]  [ FAQs ]  [ Registar site ou blog ]  [ Enviar informações ]  [ Loja ]   [ Contactos ]

 
"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
 
Arquitectura e construções
Artesanato
Cancioneiros Populares
Danças Populares
Festas e Romarias
Grupos de Folclore
Gastronomia e Vinhos
Instrumentos musicais
Jogos Populares
Lendas
Literatura Popular
Medicina Popular
Museus Etnográficos
Música Popular
Provérbios
Religiosidade Popular
Romanceiros
Sabedoria Popular
Superstições e crendices
Trajos
Usos e Costumes
 
Agenda de iniciativas
Bibliografia temática
Ciclos
Feiras
Festivais de Folclore
Glossário
Informações Técnicas
Loja
Permutas
Pessoas
Textos e Opiniões
Turismo
 
SUGESTÕES
Calendário agrícola
Confrarias
Datas comemorativas
Feriados Municipais
História do Calendário
Meses do ano
Províncias de Portugal
 
 

Pub  
   
»» Literatura Popular e Tradicional >> Literatura Popular: Em torno de um conceito (4) Pub

Pub

Literatura Popular: Em torno de um conceito(4)  
 

Manuel Viegas Guerreiro (1986)

(Continuação...)

Sua admiração, como a de seus continuadores, Teófilo Braga, Adolfo Coelho, Leite de Vasconcellos, entre outros, positivistas de nome mas românticos de essência, sua admiração, dizia eu, pela poesia do povo, não foi incondicional. Espontaneidade, pureza de inspiração, força emocional, sim, mas a poesia perfeita exigia saber que o povo não tinha e a sua, rude, formalmente imperfeita, carecia de correcção, de aperfeiçoamento. Por outras palavras, em seu conceito, uma poesia popular e uma poesia artística, como se à primeira faltassem as regras, as técnicas de que a arte se acompanha.

Ora não há poesia sem arte e a do povo só se nega ou se tem por simples, porque se ignora ou mal se conhece. O homem do povo, como o intelectual de gabinete utilizam os mesmos instrumentos na elaboração poética: palavras, inspiração e técnicas. E estas, se a escola as ensina, também de ouvido se aprendem e consciente ou inconscientemente se aplicam; o processo poético é idêntico tanto no vulgo como no não vulgo. Supor o povo a cantar, como se seus versos lhe saíssem espontânea, instintivamente, sem estudo, sem a lucidez intelectual que preside a toda a criação artística é erro que só à ignorância, à alienação do quotidiano popular se deve.

O poema que vem da boca do povo precedeu-o, por vezes, longa meditação. Na rabiça do arado ou no trabalho oficinal, vai o espírito organizando a peça literária que a voz ou as poucas letras reproduzem.

Outra dicotomia corrente é a de literatura popular e literatura erudita. Uma de homens de saber, de longa informação escolar, outra de quem não alcançou a intimidade dos livros. À ciência do povo chama-se-lhe sabedoria, conhecimento empírico que lhe não dá para conhecer as verdadeiras causas dos fenómenos que observa, um empirismo bruto que o confina a uma limitada actividade intelectual, como se um saber profundo se não alcançasse no livro aberto da natureza, no do convívio dos homens, na experiência do quotidiano.

Literatura popular e literatura culta é antinomia igualmente falsa. Não há gente com cultura e sem ela. Tem cada classe a sua, que diverso condicionalismo histórico, social e económico explicam. Não há uma baixa ou ínfima cultura e uma alta ou superior. Ainda aqui anda a falsa ideia de que só o ensino instrui, noção clássica e escolar de cultura. Esta é tudo o que se aprende do nascer ao morrer, o conjunto das tradições sociais e este conceito antropológico nos salva de errados juízos de valor.

O que está por definir vigorosamente é o que é próprio de uma e outra cultura, o que pertence ao povo e o que não é dele, para além do que é comum e que são as constantes do comportamento humano. A esse resultado havemos de chegar, quando em diversidade e profundidade se conduzir a análise etnográfica. Sem essa informação de base não é possível caracterizar minimamente cultura de classe e cultura nacional e nem em toda a sua extensão o que é universal no homem.


<<<Página anterior +++ Página seguinte>>>
 


Pub

     

        

Se não encontrou nesta página o que procurava, pesquise em todo o Portal do Folclore Português
 



Acompanhe, em primeira mão as actualizações do Portal do Folclore Português:

FOLCLORE DE PORTUGAL - O Portal do Folclore e da Cultura Popular Portuguesa não se responsabiliza pelo conteúdo dos sítios registados
© Copyrigth 2000/2014  - Todos os direitos de cópia reservados - Webmaster