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O
quinto mandamento do pobre é:
Não bebe vinho, nem branco nem tinto (Miranda do Douro).
De quem está bebendo vinho por uma garrafa diz-se que está tocando a
recolher (Lisboa).
Em Lisboa, receita-se contra a gripe: abife-se, avinhe-se e abafe-se.
Quem bebe vinho ao deitar-se diz que o faz p’rá sossega.
Come-se uma isca de febra assada para fazer boca para a pinga.
Bebe-se para endireitar as canelas.
Tudo isto é para os santos golos.
Quando se está a deitar vinho a alguém num copo e se pergunta até onde
quer, o bebedor, se é gracioso, responde: - Basta cheio.
Quando o copo está cheio de vinho, costuma dizer-se a quem o vai beber:
«Dá-lhe um beijinho, para se não entornar.»
De alguém que bebe muito diz-se por ironia: «Não bebe senão por baixo do
nariz um dedo!» (Tolosa).
Diz-se a respeito do que bebe muito numa taberna: «Aquilo é bota e deita
e não olha e conta» (Lisboa).
Os que numa taberna observam alguém que está pingueiro costumam dizer ao
dono ou à dona da mesma: «Encha, tia Maria (ou tio Manuel)! Pequenos e
grandes, nem que seja vinagre ou água de sabão!» (Lisboa).
Diz-se a um bêbedo: «és como o S. Martinho, quanto ganhas e não ganhas
tudo é para vinho» (Tolosa).
De quem cambaleia pela rua ouve-se dizer: «aquele vai d’asa caída, de
parede a parede» (Gáfete).
Quando alguém aparece magoado, com feridas na cara, sem se saber a
razão, diz-se-lhe: «Isso foi o Vinhais!»
Deitar carga ao mar
é deitar fora o vinho inteiro (Lisboa).
Em relação à gente de Arruda ouve-se: «os proprietários de Arruda têm as
chaves das adegas de prata», isto é, brancas, pelo muito uso que se lhes
dão.
Passar como cão por vinha vindimada
é passar sem querer que se perceba que se passa. |