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Oliveira pequenina,
Que azeite pode render?
O homem de pouca barba,
Que respeito pode ter?
(Faro)
Variante, publicada na Revista de Guimarães, XXXIII, P.34:
Azeitona miudinha,
Que azeite pode render?
Homem pequeno, sem barba
Que respeito pode ter?
(Minho)
Estes rapazes d’agora
Fazem a barba à fadista;
Com quatro, cinco navalhas
Compradas à sua vista
(Vila Franca do Campo)
Espelho que não tem aço
Virado para a parede.
O homem que não tem barba
Ninguém faz causa dele.
(Faial)
Causa = causo = caso
Variante de Vila Franca do Campo:
Espelho que não tam aice (= aço)
Atira-s’a ũa parede:
Rapaz que não tam bigode
Poucas conversas com ele!
Estes rapazes d’agora
Dizem que têm e não têm:
Prometem dez reis às almas
A ver se a barba lhe vem.
(Proença a Nova)
Variante de Coimbra:
Estes rapazes d’agora
Não valem nem um vintém:
Prometem dez réis às almas
Para ver s’a barba lhe vem.
Ó piaçá, como estás tu, ó piaçá,
Lava o bigode que eu venho já.
(Remate de uma cantiga popular do Porto)
Estava a D. Branca
Muito bem repousada:
Veio o João Barbudo
Deu-lhe uma bofetada.
(Ponta Delgada)
(Adivinha, simbolizando a cal da parede e o pincel do criador)
Nota vocabular e fraseológica:
Ó barba de ataful ! : injúria, em Ponta Delgada; ataful é o mesmo que
retranca.
Barbas de alho: alcunha na ilha de S. Miguel.
Barbozana: homem de barbas grandes, em Ponta Delgada.
Fazer a barbinha a alguém: levar alguém de vencida (Ponta Delgada). |