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SENHORA
DE BALSAMÃO
(continuação)
No dia
do casamento, depois da boda, o jovem recém-casado, disfarçado com o
vestido da esposa, e acompanhado dos amigos com quem tinha combinado o
plano da revolta, apresentou-se no castelo, pedindo licença para, todos
juntos, oferecerem presentes e prestarem vassalagem a tão alto Senhor.
O
pedido foi aceite e a comitiva entrou na sala do castelo com as facas de
matar porcos, dissimuladas nos açafates, à guisa de presentes.
Quando
o rei moiro apareceu, acompanhado da sua guarda real, para receber os
presentes e levar a noiva para a sua alcova, o jovem puxou do punhal e
cravou-o no coração do tirano, ao mesmo tempo que os companheiros
faziam o mesmo aos guardas que o acompanhavam.
Aos
gritos lancinantes dos moribundos, irromperam na sala estrepitosamente
os restantes soldados, em grande número e armados até aos dentes.
A luta
foi terrível e desigual: dum lado, a coragem e a determinação; do
outro, a crueldade e a força. E, como contra a força não há resistência,
a vitória pendia naturalmente para o lado dos mouros.
Mas,
quando os cristãos começavam a fraquejar, feridos pelos alfanjes dos
maometanos e tudo parecia irremediavelmente perdido, apareceu
surpreendentemente, no meio deles, uma Senhora alta, toda vestida de
branco, com um vaso de bálsamo na mão, que começou a ungir-lhes as
feridas.
À medida
que a Senhora desconhecida os ungia, as feridas ficavam subitamente
curadas e a coragem renascia-lhes dentro da alma. Renovadas as forças e
empolgados com esta aparição, atiraram-se, como S. Tiago aos mouros e
a sorte do combate começou a mudar.
Agora,
eram os mouros que retrocediam, apavorados com aquela aparição
inopinada e inexplicável que atribuíam a alguma feitiçaria dos
inimigos e contra a qual se sentiam impotentes para lutar.
Desmoralizados,
incapazes de continuar a luta, puseram-se em fuga, precipitadamente,
encosta abaixo, atropelando-se uns aos outros, para salvarem a vida. Mas
encontraram pela frente toda a população que entretanto tomou
conhecimento da revolta dos jovens e se preparou para os ajudar.
Então,
os mouros, atacados pela frente e pela retaguarda, sofreram uma terrível
chacina que os vitimou implacavelmente.
E assim
acabou a abominável opressão do domínio sarraceno e começou a
liberdade dos habitantes da região, os quais, atribuindo a vitória a
Nossa Senhora, que, com o bálsamo na mão, curou as feridas dos seus
filhos e lhes infundiu ânimo para levarem de vencida os odiados
opressores, e ainda para darem cumprimento à promessa de noiva,
iniciaram a construção da capela em sua honra, precisamente no local
da antiga mesquita.
A Nossa
Senhora deram o nome de Senhora do Bálsamo na Mão, que depois evoluiu
para Senhora de Balsamão.
E ao lugar onde os mouros
sofreram a chacina deram o nome de Chacim, terra próxima do
Santuário de Balsamão.
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