[ Principal ]    [ O Portal ]      [ Fórum ]     [ Adicionar  sítio ]     [ Contactos ]     [ Estatísticas/Visitas ]

 

Agenda de iniciativas
Artesanato
Bibliografia
Cancioneiros Populares
Comunicação Social
Directório Regional
Edições
Feiras
Festas e Romarias
Forum do Portal
Gastronomia e Vinhos
Glossário

Grupos

Instrumentos musicais
Jogos Populares
Legislação
Lendas  
Ligações úteis
Literatura Popular
Loja
Medicina Popular
Museus Etnográficos
Música Popular
Organizações
Outras iniciativas
Permutas
Pessoas
Programas de apoio
Provérbios
Romanceiro  
Textos e Opiniões
Terras de Portugal
Trajos
Turismo
Usos e Costumes
Utilidades

 

Pub  
   
»» Lendas >> Lenda do Vale da Crima (Martinela - Leiria) Pub

Lenda do Vale da Crima

     0 Vale da Crima surge-nos como curiosidade, ao fazermos o levantamento toponímico da freguesia do Arrabal.
     Este local verdejante que se situa a sudoeste da Martinela, acompanhado na sua extensão por altas rochas lajeadas fazendo lembrar um mini lapedo, aparece associado às invasões francesas, segundo depoimentos colhidos junto das pessoas mais idosas da região.
     As opiniões, no entanto, dividem-se quanto à origem do topónimo. Uns defendem que tal teria acontecido durante a primeira invasão, da responsabilidade de Junot, em 1808, ao destacar para a área de Leiria o General Margaron, que positivamente arrasou a cidade com as suas peças de artilharia pesada, naquela que ficou tristemente célebre com a batalha de Leiria.
     Defende-se até que para condenar os reféns, teria chegado ao ponto de criar um tribunal num local próximo do Vale da Crima, conhecido por Padrão (Pardon?). Outros há porém, que garantem estar o Vale da Crima (Val du Crime) ligado à terceira invasão francesa, chefiada em 1810 por André Massena.
     Teixeira Botelho escreve em 1915 um livro a que chama "Guerra Peninsular" e vem fazer um pouco de luz sobre as ocorrências verificadas na Primavera de 1811, quando o "Filho da Vitória" retira atabalhoadamente para Santarém, depois de derrotado nas linhas de Torres Vedras. Ansioso de reforços que não chegavam, consegue contactar com o seu General, Jean Baptiste Drouet, Conde d'Erlon, a quem ordena que rume a Portugal com o seu 9° Corpo de 8 000 homens, depois de ouvido o Imperador. Este assim faz e chega a Leiria, onde fica a guardar novas ordens. A situação porém não melhora para Massena, pois as comunicações estavam deterioradas e este temia aventurar-se em operações com o exército anglo-luso. As tropas enfraquecidas e famintas do general saqueavam e matavam num redor de quinze léguas e quando os bandos regressavam com as alimárias carregadas, eram muitas vezes chacinados por emboscadas, que lhes retiravam o produto dos saques. Conta-se que era rara a expedição que não regava com sangue a "aquisição" de mantimentos. Sabendo-se que o percurso mais próximo entre Tomar e Leiria passa pelo Vale da Crima, estamos em crer que serão estes depoimentos os que mais se aproximaram da realidade de tal topónimo. De uma forma ou de outra, esse local aprazível e de raro encanto, como aliás tantos outros com que a natureza dotou a freguesia do Arrabal é um convite a uma tarde de nostalgia, onde a história e o ambiente parecem acasalar, esquecidos daquela Primavera sangrenta.

 

Lenda enviada pelo Sr. Alfredo Brites

Voltar ao Menu/Index


Pub  
   

 


FOLCLORE
DE
PORTUGAL 
não se responsabiliza pelo conteúdo dos sites registados
© Copyrigth 2000/2007  Rancho Folclórico de Vila Real - Todos os direitos de cópia reservados - Webmaster