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A propósito
dos Jogos Populares, o Dr. António Magalhães Cabral elaborou um
apontamento psicossociológico, que tomamos a liberdade de
transcrever.
" O
Jogo Popular "
«O jogo consiste em transformar um meio num fim em si mesmo»
- disse Piaget. Isso acontece com o jogo infantil. No seu 4º estádio de
desenvolvimento, entre os 8 e 12 meses (período sensório-motor) a
criança aprende a separar os meios dos fins e o jogo surge. Por exemplo:
uma bola com que brinca escapa-se para trás de uma obstáculo; antes,
fora do alcance visual, não a procurava, mas agora sim. Ultrapassar o
obstáculo é o meio a que pode achar graça. Se o converte num fim,
aparece o jogo.
O mesmo sucede com o Jogo Popular. O homem que lança fora do
campo onde trabalha a pedra que o estorva, pode converter o lançamento
num fim em si mesmo e assim nasce o jogo do malhão. Isso quer já dizer
que os Jogos Populares se ligam ao trabalho, à experiência rural: são
vivência e prazer. Claro que derivam, ulteriormente, para a exibição e a
competição, mas sem corte do cordão umbilical que continua a ligá-los à
vida do campo, o que já não acontece com jogos mais refinados, de alta
competição, onde aquela ligação se perdeu. A simplicidade e a rudeza de
processos mantêm-se no jogo popular, enquanto no jogo de alta competição
o fim que era o prazer voltou a ser meio – de atingir fama, fortuna,
etc. Até nos «jogos sem fronteiras», a diferença é visível: estes partem
da mente para a realidade, embora mais ou menos apoiados nesta; os jogos
populares partem da realidade para a realidade."
Dr. António
Magalhães Cabral
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