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Actividades Lúdicas Tradicionais
Factores de preservação da identidade cultural das comunidades
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Tomé Bahia de Sousa

Como interpretar a simultaneidade?

Como interpretar a simultaneidade cíclica do pião e da quaresma?

Jean Chateau(1) diz que muitos dos jogos têm origem em actividades mágico-religiosas. O tambor, entre os primitivos, tem a função religiosa e mágica. O papagaio de papel, veio do extremo oriente onde representava a alma. A boneca, já foi objecto de culto. O pião, também. Era um dado giratório de adivinhação.

Mas a sobrevivência de elementos mágico-religiosos neste jogo não explicam capazmente a coexistência cíclica da quaresma e do pião.

Quanto a nós, o estado de interiorização e acabrunhamento, vivido por toda a comunidade, perante os mistérios insondáveis da Paixão de Cristo, favorecia o estupor ilínxico originado pelo turbilhão giratório. O prazer da fuga do mundo real propiciado pela interioridade mística do período quaresmal, encontrava terreno favorável na prática do velho jogo que acrescentava, estranhamente esse prazer.

A destruição dos piões, intitucionalizada no jogo, para além da resposta controlada a uma agressividade original e persistente, parece estar relacionado com outro jogo do fim da quaresma: - o jogo dos panelos.

No dia de Pascoela, os vizinhos e conhecidos entravam nas casas uns dos outros e traziam para a rua os panelos e cântaros de barro furados, esbotenados ou rachados, que as donas de casa iam guardando durante o ano. Depois do almoço, no largo fronteiro, atiravam-se as panelas de mão em mão, até que um descuido voluntário as transformasse num monte de cacos, por entre risadas e xistes de participantes e assistentes.

Interessante é a discrição que o Abe Laborde(2) faz deste jogo, referido ao Bidache no Béarn com o nome de «Jeu de la Toupiole».

Arnold van Gennep(3) refere que, em França, o quebrar voluntário de louça de barro constitui sempre uma prática com sentido mágico actual ou originário (às vezes, por falta de razões expressas, difícil de concretizar e definir se profilático, multiplicador ou propiciatório), mas geralmente em relação com a ideia de felicidade (porte-bonheur).

A similitude morfológica do pião com o panelo de barro e a destruição final a que são submetidos nas formas lúdicas observadas, podem estar relacionadas com ritos de passagem de um estado a outro estado, de uma situação a outra situação, de um período a outro período como é o caso do quaresmal.

Notas:
(1) - Jean Chateau, L'Enfant et le Jeu, Editions Scarabée, Paris
(2) - Citado por Ernesto Veiga de Oliveira, Festividades Cíclicas em Portugal, nº29, Diversões de Carácter Cíclico em Portugal, pág.309
(3) - Arnold van Gennep, Manuel de Folklore Français Contemporain, Tomo Premier, II, Paris, 1946, pág. 521 e III, Paris, 1947, pág. 1110-1111


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