[ INÍCIO ]   [ Sobre o Portal ]  [ FAQs ]  [ Registar site ou blog ]  [ Enviar informações ]  [ Loja ]   [ Contactos ]

 
"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
 
Arquitectura e construções
Artesanato
Cancioneiros Populares
Danças Populares
Festas e Romarias
Grupos de Folclore
Gastronomia e Vinhos
Instrumentos musicais
Jogos Populares
Lendas
Literatura Popular
Medicina Popular
Museus Etnográficos
Música Popular
Provérbios
Religiosidade Popular
Romanceiros
Sabedoria Popular
Superstições e crendices
Trajos
Usos e Costumes
 
Agenda de iniciativas
Bibliografia temática
Ciclos
Feiras
Festivais de Folclore
Glossário
Informações Técnicas
Loja
Permutas
Pessoas
Textos e Opiniões
Turismo
 
SUGESTÕES
Calendário agrícola
Confrarias
Datas comemorativas
Feriados Municipais
História do Calendário
Meses do ano
Províncias de Portugal
 
 

Pub  
   
>> Instrumentos Musicais Tradicionais Portugueses - O Cavaquinho Pub
Pub    

 
 

 

O Cavaquinho

Ernesto Veiga de Oliveira
in "Instrumentos Populares Portugueses"
(edição da Fundação Calouste Gulbenkian)

(Continuação...)

O cavaquinho de Lisboa, semelhante ao minhoto pelo seu aspecto geral, dimensões (um pouco mais curto de braço e mais comprido de caixa, que também é um pouco mais larga do que nos modelos minhotos; no cavaquinho do Sul, como a escala vem abaixo até junto à boca, essa mede mais cerca de 5 cm do que nos nortenhos) e tipo de encordoamento, difere contudo essencialmente deste pela escala, que é em ressalto, elevada em relação ao tampo, pelo número de trastes, que são dezassete e vêm até à boca, como no violão e na guitarra portuguesa em todos os demais cordofones de atadilho da família dos banjolins a boca é sempre redonda.

O cavalete é de um tipo diferente do dos cavaquinhos minhotos, uma espessa régua linear com um rasgo horizontal escavado a meio, onde a corda prende por um nó corredio depois de atravessar, como nos outros, quatro pequenos sulcos verticais, entre o tampo e a metade inferior do cavalete. Ele parece aí ser mais um instrumento de tuna, de uso urbano e sobretudo burguês que, em meados do século XIX, os mestres de dança da cidade utilizavam nas suas lições, e que era às vezes tocado pelas senhoras; como tal, toca-se então pontiado, com plectro - a «palheta» —, como os instrumentos desse género do tipo dos banjolins, geralmente fazendo tremolo sobre cada corda com a «palheta».

No Algarve, conhece-se igualmente o cavaquinho como instrumento de tuna - «a solo ou com bandolins, violas (violões), guitarras e outros instrumentos» -, de uso como em Lisboa, urbano popular ou burguês, para estudantinas, serenatas, etc.

Na ilha da Madeira existe também o correspondente destes cordofones, com os nomes de braguinha, braga, machete, machete de braga ou cavaquinho. O braguinha tem as mesmas dimensões e número de cordas dos cavaquinhos continentais, a mesma forma e característica do cavaquinho de Lisboa: escala elevada sobre o tampo, dezassete trastos, boca redonda; o encordoamento parece ser de tripa, mas o povo substitui geralmente a primeira corda por fio de aço cru; a sua afinação é, do grave para o agudo, ré-sol-si-ré.

Gonçalo Sampaio acentua a distinção entre os instrumentos minhoto e madeirense, ou machete, que conhece apenas como instrumento solista e, como vimos, com características diferentes daquele; Carlos Santos considera-o mesmo de invenção insular, explicando o seu nome, de acordo com o autor do Elicidário Madeirense, pelo facto de o instrumento ser usado por gente que vestia bragas, antigo trajo do camponês ilhéu. Mas esta opinião parece ignorar o instrumento continental, do qual, a despeito das diferenças apontadas, não podemos deixar de aproximar a forma madeirense. De resto, outros autores madeirenses, como Eduardo C. N. Pereira, notando embora certas particularidades do braguinha, como a sua afinação pela viola, inclinam-se decididamente pela hipótese da origem continental do braguinha ou machete madeirense. E notamos a designação de machinho que aparece em algumas terras do Baixo Minho e de Basto, e já no Regimento de 1719 referente a Guimarães.


<<<Página anterior +++ Página seguinte>>>
 


 

 

Pub

     

        

Se não encontrou nesta página o que procurava, pesquise em todo o Portal do Folclore Português
 



Acompanhe, em primeira mão as actualizações do Portal do Folclore Português:

FOLCLORE DE PORTUGAL - O Portal do Folclore e da Cultura Popular Portuguesa não se responsabiliza pelo conteúdo dos sítios registados
© Copyrigth 2000/2014  - Todos os direitos de cópia reservados - Webmaster