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(Continuação...)
O cavaquinho de Lisboa, semelhante ao minhoto pelo seu aspecto geral, dimensões
(um pouco mais curto de braço e mais comprido de caixa, que também é um pouco
mais larga do que nos modelos minhotos; no cavaquinho do Sul, como a escala vem
abaixo até junto à boca, essa mede mais cerca de 5 cm do que nos nortenhos) e
tipo de encordoamento, difere contudo essencialmente deste pela escala, que é em
ressalto, elevada em relação ao tampo, pelo número de trastes, que são dezassete
e vêm até à boca, como no violão e na guitarra portuguesa em todos os demais
cordofones de atadilho da família dos banjolins a boca é sempre redonda.
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O
cavalete é de um tipo diferente do dos cavaquinhos minhotos, uma espessa régua
linear com um rasgo horizontal escavado a meio, onde a corda prende por um nó
corredio depois de atravessar, como nos outros, quatro pequenos sulcos
verticais, entre o tampo e a metade inferior do cavalete. Ele parece aí ser mais
um instrumento de tuna, de uso urbano e sobretudo burguês que, em meados do
século XIX, os mestres de dança da cidade utilizavam nas suas lições, e que era
às vezes tocado pelas senhoras; como tal, toca-se então pontiado, com plectro -
a «palheta» —, como os instrumentos desse género do tipo dos banjolins,
geralmente fazendo tremolo sobre cada corda com a «palheta».
No Algarve, conhece-se igualmente o cavaquinho como instrumento de tuna - «a
solo ou com bandolins, violas (violões), guitarras e outros instrumentos» -, de
uso como em Lisboa, urbano popular ou burguês, para estudantinas, serenatas,
etc.
Na ilha da Madeira existe também o correspondente destes cordofones, com os
nomes de braguinha, braga, machete, machete de braga ou cavaquinho.
O braguinha tem as mesmas dimensões e número de cordas dos cavaquinhos
continentais, a mesma forma e característica do cavaquinho de Lisboa: escala
elevada sobre o tampo, dezassete trastos, boca redonda; o encordoamento
parece ser de tripa, mas o povo substitui geralmente a primeira corda por fio de
aço cru; a sua afinação é, do grave para o agudo, ré-sol-si-ré.
Gonçalo Sampaio acentua a distinção entre os instrumentos minhoto e madeirense,
ou machete, que conhece apenas como instrumento solista e, como vimos, com
características diferentes daquele; Carlos Santos considera-o mesmo de invenção
insular, explicando o seu nome, de acordo com o autor do Elicidário Madeirense,
pelo facto de o instrumento ser usado por gente que vestia bragas, antigo
trajo do camponês ilhéu. Mas esta opinião parece ignorar o instrumento
continental, do qual, a despeito das diferenças apontadas, não podemos deixar de
aproximar a forma madeirense. De resto, outros autores madeirenses, como Eduardo
C. N. Pereira, notando embora certas particularidades do braguinha, como a sua
afinação pela viola, inclinam-se decididamente pela hipótese da origem
continental do braguinha ou machete madeirense. E notamos a designação de
machinho que aparece em algumas terras do Baixo Minho e de Basto, e já no
Regimento de 1719 referente a Guimarães. |