|
Não há – quanto a mim,
felizmente - directivas, instruções ou meras sugestões ideais e que
possam ser usadas ou replicadas, tal e qual, em todos os Festivais. Cada
“Encontro”, “Mostra” ou “Festival de Folclore”,
independentemente da designação que lhe for dada, deve ter em conta o
contexto geral em que é realizado:
-
os meios financeiros
e logísticos disponíveis (incluindo os recursos humanos),
-
os
destinatários/assistentes,
-
os Grupos
participantes,
-
as condições do meio
sócio-cultural e económico onde o Grupo organizador se encontra,
-
a época do ano
(condições climatéricas),
-
etc.
O que, muitas vezes, dá
resultado neste ou naquele Festival de Folclore - contribuindo
para o merecido sucesso do mesmo -, pode não ser o mais adequado para um
outro qualquer, pelo que nada deve ser ‘copiado a papel químico’
ou aplicado por fotocópia. O que importa é que os responsáveis
pela organização saibam adaptar o que, eventualmente, já viram resultar
noutros Festivais à realidade do respectivo Grupo e da comunidade local
onde o mesmo está inserido.
Também é importante que
as actividades sejam devida e atempadamente planificadas, pois, embora
sejamos todos (ou a quase totalidade) verdadeiramente ‘amadores’ (na
justa medida em que, por um lado, ‘amamos’ o que fazemos, e, por outro,
não somos ‘profissionais’ – isto é, não recebemos qualquer remuneração
fixa, mensal ou outra), temos sempre que mostrar a quem vê o produto
final do nosso trabalho, um nível de profissionalismo cada vez maior.
Se
ainda há indivíduos (alguns com responsabilidades políticas, sociais,
empresariais, etc,) que utilizam (na forma escrita ou oral) os termos
‘folclore’ e/ou ‘folclórico’ para atacar, diminuir, achincalhar,
denegrir, até mesmo ofender, despudoradamente, outras pessoas ou
situações, é chegado o tempo de, todos aqueles que nos dedicamos à
recolha, preservação, estudo e divulgação do Folclore, da Etnografia,
enfim, da Cultura Popular Portuguesa, tudo fazermos para provar, até
ao limite das nossas possibilidades, que tal utilização é abusiva,
descabida, e que merece todo o nosso repúdio.
Por
isso mesmo, temos de ser capazes de fazer sempre mais e melhor, para que
não nos atirem à cara a ‘pobreza’ ou a ‘fraca capacidade organizativa’
dos Grupos de Folclore naquilo em que devem ser os melhores: a
realização dos Encontros/Mostras ou Festivais de Folclore,
assim como de todas as iniciativas ou actividades relacionadas com o
Folclore, a Etnografia e a Cultura Popular Portuguesa. |