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(Continuação)
3) Os
perigos que um Site mal estruturado e de conteúdo duvidoso podem
representar para a dignificação do Folclore Português.
A Internet é o maior e o mais poderoso meio de comunicação, através do
qual toda a informação aí disponibilizada tem a grande virtude de chegar
com rapidez a qualquer parte do mundo, dando a quem a coloca, a
possibilidade de ter um poder que nunca teve até hoje em toda a história
dos meios de comunicação. O simples facto de qualquer pessoa poder
colocar informação na Internet sem que ninguém, nem nenhuma instituição,
avalie a qualidade, veracidade e o rigor científico do seu conteúdo,
podendo até filtrar tudo quanto possa não estar de acordo com estes
parâmetros, faz com que seja possível ser divulgada através deste meio
de comunicação, tanto informação credível e de boa qualidade, como
também aquela que, pela sua duvidosa qualidade e até deturpação da
verdade, não deveria merecer qualquer tipo de credibilidade. No caso
concreto do Folclore, esta realidade poderá constituir grandes e graves
perigos para a sua dignificação, na medida em que, informação errada
colocada nas mãos de pessoas erradas, que a podem manipular através da
Internet e dessa forma a divulgarem, é gravemente nefasta para o
respeito pela genuinidade e autenticidade das nossas tradições
populares.
Que fazer perante uma realidade tão ameaçadora daquilo que são os nossos
autênticos valores culturais e que definem em nós a identidade de um
povo com cerca de 900 anos de história, numa época em todo o tipo de
influências culturais estrangeiras nos são impostas das mais diversas
formas e pelas mais diferentes vias? A resposta cabal a esta questão
receio que nunca a poderemos encontrar, no entanto cabe a todos os
folcloristas, e em especial àqueles que utilizam a Internet, um papel
fundamental na defesa do Folclore Português como veículo da divulgação
dos usos e costumes dos nossos antepassados. A estes últimos
compete-lhes o dever de serem responsáveis, idóneos e criteriosos na
manipulação que fazem de toda a informação de que dispõem sobre Folclore
e Etnografia. Quando um Grupo Folclórico apresenta um Site bem
estruturado e com informação de qualidade histórico-científica, obtém
deste um bom serviço e, nessa medida, todo o Folclore nacional ganha com
isso saindo dignificado e com mais força para exigir cada vez mais,
junto das instituições responsáveis, o lugar a que tem direito no
panorama sócio-cultural do Portugal que temos e queremos deixar de
herança aos nossos filhos e netos. Parafraseando o colega Manuel Palhoco,
do Grupo de Danças e Cantares BESCLORE, numa das suas intervenções no
Fórum do Portal do Folclore Português, numa frase em que ele disse que
“as meias verdades são piores que a falta de informação”, julgo que
estaremos a dar aos nossos colegas, que no seio de comunidades
portuguesas desenvolvem e aperfeiçoam o Folclore de Portugal, uma
péssima orientação no trabalho que realizam com limitados elementos de
pesquisa, se não formos capazes de divulgar o Folclore Português através
na Internet com aquela qualidade, rigor e verdade que em Folclore e
Etnografia são imprescindíveis. É com algum desconforto que nos
deparamos, muitas vezes, também, com Sites de Grupos Folclóricos que não
abrem devido ao facto de terem mudado de endereço. Estes endereços
desactualizados traduzem-se em lixo electrónico que acabam sempre por
ter uma acção negativa, pois desmoralizam quem com eles se depara, no
trabalho de pesquisa na Internet, sobre as coisas do Folclore.
Em jeito de conclusão poderemos afirmar, sem qualquer pretensiosismo,
que será preferível que um Grupo Folclórico não tenha Site na Internet,
do que o tenha incompleto durante demasiado tempo ou que este não
satisfaça os critérios aqui enunciados. Mais do que encontrar respostas
relativamente às questões aqui levantadas, fica esta ideia como ponto de
partida para uma reflexão que se pretende participada e aprofundada. |