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Os "sítios" dos Grupos de Folclore na Internet - uma experiência (6)
 

 

Albino Teixeira Pinto Dias
elemento do Grupo Folclórico de Danças e Cantares de Mafamude – Vila Nova de Gaia
e webmaster do respectivo site

(Continuação)

3) Os perigos que um Site mal estruturado e de conteúdo duvidoso podem representar para a dignificação do Folclore Português.

A Internet é o maior e o mais poderoso meio de comunicação, através do qual toda a informação aí disponibilizada tem a grande virtude de chegar com rapidez a qualquer parte do mundo, dando a quem a coloca, a possibilidade de ter um poder que nunca teve até hoje em toda a história dos meios de comunicação. O simples facto de qualquer pessoa poder colocar informação na Internet sem que ninguém, nem nenhuma instituição, avalie a qualidade, veracidade e o rigor científico do seu conteúdo, podendo até filtrar tudo quanto possa não estar de acordo com estes parâmetros, faz com que seja possível ser divulgada através deste meio de comunicação, tanto informação credível e de boa qualidade, como também aquela que, pela sua duvidosa qualidade e até deturpação da verdade, não deveria merecer qualquer tipo de credibilidade. No caso concreto do Folclore, esta realidade poderá constituir grandes e graves perigos para a sua dignificação, na medida em que, informação errada colocada nas mãos de pessoas erradas, que a podem manipular através da Internet e dessa forma a divulgarem, é gravemente nefasta para o respeito pela genuinidade e autenticidade das nossas tradições populares.

Que fazer perante uma realidade tão ameaçadora daquilo que são os nossos autênticos valores culturais e que definem em nós a identidade de um povo com cerca de 900 anos de história, numa época em todo o tipo de influências culturais estrangeiras nos são impostas das mais diversas formas e pelas mais diferentes vias? A resposta cabal a esta questão receio que nunca a poderemos encontrar, no entanto cabe a todos os folcloristas, e em especial àqueles que utilizam a Internet, um papel fundamental na defesa do Folclore Português como veículo da divulgação dos usos e costumes dos nossos antepassados. A estes últimos compete-lhes o dever de serem responsáveis, idóneos e criteriosos na manipulação que fazem de toda a informação de que dispõem sobre Folclore e Etnografia. Quando um Grupo Folclórico apresenta um Site bem estruturado e com informação de qualidade histórico-científica, obtém deste um bom serviço e, nessa medida, todo o Folclore nacional ganha com isso saindo dignificado e com mais força para exigir cada vez mais, junto das instituições responsáveis, o lugar a que tem direito no panorama sócio-cultural do Portugal que temos e queremos deixar de herança aos nossos filhos e netos. Parafraseando o colega Manuel Palhoco, do Grupo de Danças e Cantares BESCLORE, numa das suas intervenções no Fórum do Portal do Folclore Português, numa frase em que ele disse que “as meias verdades são piores que a falta de informação”, julgo que estaremos a dar aos nossos colegas, que no seio de comunidades portuguesas desenvolvem e aperfeiçoam o Folclore de Portugal, uma péssima orientação no trabalho que realizam com limitados elementos de pesquisa, se não formos capazes de divulgar o Folclore Português através na Internet com aquela qualidade, rigor e verdade que em Folclore e Etnografia são imprescindíveis. É com algum desconforto que nos deparamos, muitas vezes, também, com Sites de Grupos Folclóricos que não abrem devido ao facto de terem mudado de endereço. Estes endereços desactualizados traduzem-se em lixo electrónico que acabam sempre por ter uma acção negativa, pois desmoralizam quem com eles se depara, no trabalho de pesquisa na Internet, sobre as coisas do Folclore.        

Em jeito de conclusão poderemos afirmar, sem qualquer pretensiosismo, que será preferível que um Grupo Folclórico não tenha Site na Internet, do que o tenha incompleto durante demasiado tempo ou que este não satisfaça os critérios aqui enunciados. Mais do que encontrar respostas relativamente às questões aqui levantadas, fica esta ideia como ponto de partida para uma reflexão que se pretende participada e aprofundada.


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Intervenção apresentada no 1º Encontro Nacional de Folcloristas Internautas - Vila Real (Delegação do IPJ) 8.11.2003

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