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"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
 
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»» Gastronomia Regional / Tradicional - "Sabores do Sul" (Algarve) Pub
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Sabores do Sul (*)
A cozinha algarvia vive de memórias ancestrais fenícias, romanas e árabes. Um caldeirão de sabores onde pontificam os peixes, a alfarroba e os doces de amêndoa. (Continuação...)
 
Xerém

Os árabes deixaram como herança a atafona em pedra onde era britado o milho painço. Este moinho caseiro fazia uma moagem grossa, que não passava na peneira e era chamada zerém. No século XV, a chegada das Américas de milho mais grosso fez com que os algarvios trocassem o “frangolho” (papas de milho) pelo xérem, e passaram a combinar as papas de milho com carne de porco, berbigão, amêijoas ou conquilhas. Este prato tradicional continua presente  até hoje e, como diz o povo, «Um olhanense passava / muito bem para onde fosse / com um prato de xerém / e uma batatinha doce».

Ervas, temperos e condimentos

As conservas de cenoura  são um bom exemplo de como se podem juntar azeite, alho e coentros e criar um aperitivo simples e delicioso. Os orégãos, o colorau, os cominhos, a erva-doce ou a canela são alguns dos condimentos presentes na cozinha do dia-a-dia. Os escabeches de carapau “alimados” ou de sardinha “petinga”. Outro elemento fundamental tem sido o sal marinho. Através da recolha dos delicados cristais que se foram à superfície das salinas obtém-se a flor de sal, um tempero delicado que se destaca pela qualidade que acrescenta aos pratos.

Maçapão

Uma dos traços mais marcantes que os árabes deixaram neste território situado al gharb,  ou seja “a ocidente”, que viria mais tarde a ser o Algarve, foi a maçapão. As amêndoas pisadas até ficarem em farinha, e misturadas com açúcar e água de flor de laranjeira, são a base da ornamentada doçaria local, com a massa da amêndoa a ser moldada em inúmeras figuras e pintada à mão com corantes alimentares. Os doces de amêndoa são também emblemáticos de um lado artesanal que se mantém ainda hoje.

Doçaria Conventual

A expansão portuguesa trouxe a possibilidade de ter açúcar para cozinhar numa abundância nunca antes conseguida. Os vários conventos fundados um pouco por todo o país foram o berço de uma doçaria rica em ovos, amêndoas e mel. O mel tinha tido todo o protagonismo no Algarve desde os tempos romanos, até à chegada do açúcar importado do Brasil. Ao logo dos séculos foram surgindo doces como o D. Rodrigo, os morgados, o bolo de tacho com mel, o bolo de chila, queijinhos de amêndoa, o bolo de figo, a tarte de alfarroba e outros.

(*) Texto de Fortunato da Câmara, retirado de Revista TABU / Sol, nº204


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