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»» Gastronomia Tradicional / Regional e Vinhos >>
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Gastronomia: pratos típicos e doces do Algarve
A ementa rica e variada é um dos
cartões-de-visita do Algarve, celebrando receitas da zona costeira e
sabores das regiões do interior. Terra de pescadores virada para o mar,
o Algarve é apenas uma dos muitos paraísos gastronómicos portugueses que
faz as delícias daqueles que apreciam peixes e marisco. Alguns dos
pratos mais populares são as sopas de peixe, o arroz de polvo, búzios
com feijão, o guisado de peixe e a açorda de marisco. Deliciosos! |
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Gastronomia da Península de
Setúbal
A acentuada diversidade paisagística e
cultural traduz-se numa gastronomia muito variada. Esta região produz um
dos mais prestigiados queijos portugueses – o Queijo de Azeitão, que
convive com uma doçaria requintada como Fogaças de Palmela, Esses e
Tortas de Azeitão, Santiagos, Palmelenses ou Pastéis de Moscatel. Na
fruta, para além das saborosas uvas, destaca-se a peculiar Maçã
Riscadinha e as Pêras cozidas em Vinho Moscatel. |
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Bóia de salvação (Bolo-rei)
Nas festas consagradas a Saturno era de uso
tirar-se à sorte – por meio de favas – o «rei» dos folguedos. O
verdadeiro rei era destronado à sobremesa. A filiação é suspeita e
silenciosa, pois que remota às saturnais romanas. O historiador latino
Tácito, no livro XIII dos Anais, revela que nas festas consagradas o
Saturno era de uso tirar-se à sorte – por meio de favas - o rei «rei»
dos folgueados, realeza essa tão poderosa quanto efémera: enquanto
durasse o festim o rei tinha todos os poderes, mas era destronado à
sobremesa. O que acontecia durante o «reinado» fica com a imaginação de
cada qual. |
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Arroz-doce
Espanhóis («arroz com leche») e franceses
(«riz au lait») já o conheciam antes de nós. Por cá a antiguidade é
atestada por um livro de 1680.
Para muitos, não corresponde ao ideal de sobremesa doce, de que se
espera sempre, por muitos ovos, amêndoa ou outro qualquer ingrediente
componente, uma característica de leveza inerente à condição de
pospasto. Uma pratada de arroz-doce no fim duma refeição significa
normalmente, para estômagos cordatos, que ela não satisfez, em qualidade
ou quantidade. |
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Doçaria de Natal
Rabanadas, fatias douradas, coscorões ou
sonhos, tudo guloseimas tradicionais para alegrar as mesas da Consoada e
do primeiro dia do ano. Começando pelo Entre-Douro-e-Minho, as rabanadas
são essencialmente fatias de pão (cacete) embebidas numa solução de
leite, açúcar e casca de limão, passadas por ovos batidos e fritas em
óleo, polvilhadas de açúcar e canela, podendo ser regadas com calda de
açúcar ou de vinho tinto (verde) com mel. Quando não fritas dizem-se
rabanadas douradas ou fatias douradas, e cozem em calda de açúcar, pau
de canela e casca de limão. Em qualquer dos casos «a sua elegância é
implacável», como assevera a mesma personagem dinisiana da citação. |
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Comidas de Natal
Com a aproximação de Consoada, perfilam-se
já na nossa memória os paladares do bacalhau com todos, do peru, do
porco e do cabrito.
É nas províncias do Norte, particularmente no Entre-Douro-e-Minho (nas
casas mais abastadas, já se vê), que a Consoada atinge os maiores
fulgores de vitualhas. Nos aparadores perfilam-se os mexidos, as
rabanadas, o doce de aletria, os bolinhos de jerimu, o arroz-doce, o
leite-creme, engrinaldados pelos cestinhos de vime ajoujados de nozes,
pinhões, amêndoas, passas de uva, avelãs e passas de figo. |
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Feijões e feijoadas
Originário provavelmente do Peru, o feijão foi trazido para a Europa no
séc. XVII Só depois da descoberta das Américas é que o feijão foi
conhecido na Europa, pois parece ser originário da América do Sul,
provavelmente do Peru. Quando os navegadores espanhóis e portugueses
chegaram ao Novo Mundo, já ele era largamente cultivado pelos incas (que
lhe chamavam «purutu») e também pelos astecas do México (que o
designavam por «ayacote»). |
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Sável primaveril
A escassez é dramática e, caso não sejam
medidas apropriadas, a extinção espreita Já apreciado pelos Romanos - há
mesmo um poeta latino, Ausónio, que lhe dedicou uma receita -, o sável
(«Alosa alosa») é um peixe marítimo que, pela Primavera, sobe os rios
principais para desovar, altura em que é pescado. De carne extremamente
delicada, algo gorda e particularmente sápida (só não é perfeito pelo
excesso de espinhas), convém não o confundir com a prima savelha ou
saboga («Alosa fallax»), de menor categoria. |
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Batata amiga
Veio do Perú, entrou em Espanha e chegou ao
Papa. Uma confusão deturpou-lhe o nome, mas não a impediu de iniciar um
imparável reino. Por volta de 1524, os soldados de Pizarro, esse amável
conquistador espanhol que avançou pelo peru como um carro de assalto e
destruiu o império inca, descobriram uma planta maravilhosa que se
cultivava nos planaltos onde o milho já não podia crescer. Jardineiros
hábeis, os incas cultivavam-na desde tempos imemoriais. |
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Truta e treta
Os nossos rios ‘truteiros’ despovoaram-se. A
truta que agora comemos é de ‘aviário’ Teleósteos perciformes da família
dos salmonídeos, as trutas não são todas iguais. Nas águas (doces)
portuguesas vivem três espécies que, prescindindo do latinório,
respondem vulgarmente por truta-saeira (truta salmonada quando a carne
adquire cor rosada), truta-arco-íris (oriunda da Califórnia e
introduzida na piscicultura europeia no final do século XIX) e, mais
rara, a truta-marisca. |
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Pregão do capão
Condene-se um galo a voto de castidade,
engorde-se-lhe a carne à força e proteja-se o animal do frio e da chuva;
serve-as quente! No tempo em que a industrialização ainda não tinha
tomado conta do reino alimentar, havia uma distinta família galinácea
cujos membros proporcionavam farta e fácil alegria aos paladares.
Compunham-na a mãe galinha (também representada no género humano), o
galo macho e a prole de frangos e frangas, cada qual com o seu matiz
sápido e seu lugar específico na orquestração culinária. |
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Grasna o pato
Os patos terão sido domesticados
primeiramente na China há 4000 anos, constituindo a glória da cozinha
chinesa
Aves palmípedes da ordem anseriforme, família das anserídeas e tribo das
anatídeas, os patos terão sido domesticados primeiramente na china há
quatro mil anos, mais coisa menos coisa. Com tal antiguidade e tantos
séculos de prática quase ritual, não admira que eles constituam a
glória, levada á perfeição, da cozinha chinesa. Ao prazer da degustação
juntam conotações simbólicas (como, por exemplo, a da fidelidade
conjugal, embora só os patos selvagens sejam monógamos) e poéticas. |
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Infantes caprino e ovino
Os franceses desconfiam do cabrito e chegam
ao ridículo de o considerarem venenoso.
Em tempo ainda de eflúvios pascais, vem a propósito a evocação (breve)
das duas jovens criaturas que lhe andam associadas no prato. O filho da
cabra é um alimento que desde a época dos lusitanos até hoje congrega
fervores e está no topo das preferências nacionais. |
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Bolinho ou pastel [de bacalhau]
A unanimidade receituária recai tão-só na
salsa, muita e picada, na pimenta e no sal
BOLINHO, como se diz no Norte, pastel, como se usa cá por baixo. De
bacalhau, quer-se dizer. A primeira vez que aparece nomeado é na Arte do
Cozinheiro e do Copeiro (1841) do Visconde de Vilarinho de S. Romão
(1785-1863), sob a designação de «bacalhau feito em bolinhos», só que
estes bolinhos correspondem àquilo que hoje comummente chamamos
pataniscas. |
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Chanfana dual
Prato
característico de parte do distrito de Aveiro e do de Coimbra, da
Bairrada até Poiares, Lousã e Miranda do Corvo
Dizem que ainda é melhor comida no dia seguinte, reaquecida, com boa
batata cozida
Em voga desde pelo menos o primeiro quartel do século XVIII até ao
terceiro do XIX, a chanfana era então um prato tabernário que consistia
basicamente num guisado de bofe e outras miudezas de vaca. |
» Enguias e angulas
Aveiro, Murtosa, Aveiro, Anadia, Ribatejo
O seu território culinário não se esgota em Aveiro; no Ribatejo
tratam-nas com desvelo.
Sabe-se - mas só se soube a partir do início do século XX, graças ao
trabalho de Johannes Schmidt, (1877-1933) - do ciclo vital da enguia:
nasce no mar de Sargaços, ao largo das costas das Bermudas, aonde
ocorrem as fêmeas adultas a depositar os seus biliões de ovos
fecundados; daí, a transparente larva inicia a sua viagem de crescimento
até às costas da Europa e do norte de África, travessia que demorará
dois anos, à conta das correntes marítimas; |
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Bacorinho Bairradinho
Região da Bairrada
É assado em Trás-os-Montes, na Beira Alta e no Alentejo, mas na Bairrada
é que é! Pode ser sujeito a variados tratos e enroupado em diferentes
trapos culinários. Em Trás-os-Montes fazem-no assado no forno, a
barriguinha atestada de um recheio, previamente refogado, de segmentos
das próprias miudezas, de batatinhas, ovos cozidos e azeitonas. Na Beira
Alta também impera o assado e recheado, sendo este aqui de fressura,
toucinho e enchido. No Alentejo, além de assado, ele aparece frito, de
caldeirada e em ensopado. Mas é verdade de fé que na Bairrada é que é. |
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Cultura do Chícharo renasce em Alvaiázere
O
chícharo é um legume seco muito apreciado pelas gentes das aldeias
serranas das beiras onde os solos são áridos e pobres e a abundância de
rochas calcárias torna-os menos férteis. Sem necessidade de grandes
cuidados nem terra com muito amanho, esta leguminosa enfrenta a seca
como o beirão resiste à vida árdua de uma lavoura cuja abundância pouco
vai além de um punhado de chícharos. |
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Sabores do Sul
A cozinha algarvia vive de memórias
ancestrais fenícias, romanas e árabes. Um caldeirão de sabores onde
pontificam os peixes, a alfarroba e os doces de amêndoa. São memórias
intemporais as que nos levam à descoberta da cozinha regional algarvia.
A costa sul de Portugal foi habitada desde a pré-história e até à
fundação de Portugal por fenícios, gregos, cartagineses, celtas, romanos
e árabes. O legado destes povos é visível na forma como as
matérias-primas nativas da região foram construindo uma identidade
gastronómica própria, inspirada na alimentação do Mediterrâneo. A
localização do Algarve, engastado entre uma zona serrana e o miradouro
atlântico por onde se estende, é o segredo desta cozinha marítima de
baixos recursos e ao mesmo tempo rural e acolhedora. Desvende este
património milenar com um pé na água e os olhos na serra. |
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Comidas de Páscoa
A Páscoa era [e ainda é] a principal festa
religiosa dos judeus, instituída em comemoração da sua libertação do
jugo egípcio. De entre as diferentes celebrações memoriais avultavam [e
avultam] as de índole alimentar. A ceia pascal obedecia a ementa
obrigatória: o cordeiro ritual, sem defeito, macho e de um ano («absque
macula, masculus, anniculus» - Êxodo, 13, 5), assado inteiro e sem
quebradura de osso, acompanhado de ervas amargas e de pão ázimo,
simbolizando, respectivamente, os primogénitos mortos, a amargura da
escravidão e a pressa (que nem deu tempo à fermentação) na saída do
Egipto. |
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Doçaria Pascal
Característicos e tradicionais são os
folares. Folar, em sentido genérico, é todo o presente cerimonial de
Páscoa, seja ele o que o padrinho Sá ao afilhado, seja o donativo que se
dá ao padre aquando da visita pascal ou «compasso». Numa acepção mais
restrita, significa um determinado tipo de bola, própria do ciclo
pascal. |
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