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»» Gastronomia Regional / Tradicional - Comidas de Páscoa Pub
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Comidas de Páscoa
«(…) que maravilhosas caçoilas de arroz, e que divinos anhos pascais assados no espeto!»
Eça de Queiroz

A Páscoa era [e ainda é] a principal festa religiosa dos judeus, instituída em comemoração da sua libertação do jugo egípcio. De entre as diferentes celebrações memoriais avultavam [e avultam] as de índole alimentar. A ceia pascal obedecia a ementa obrigatória: o cordeiro ritual, sem defeito, macho e de um ano («absque macula, masculus, anniculus» - Êxodo, 13, 5), assado inteiro e sem quebradura de osso, acompanhado de ervas amargas e de pão ázimo, simbolizando, respectivamente, os primogénitos mortos, a amargura da escravidão e a pressa (que nem deu tempo à fermentação) na saída do Egipto.

Complementados por caldo de maçãs, amêndoas, figos e outros frutos cozidos com vinho, tudo alegórico ao êxodo, e comido de pé e de bordão em punho, na atitude de quem está para iniciar uma viagem.

O cristianismo recebeu do judaísmo a celebração da Páscoa, conferindo-lhe, porém, outro significado – o da festa da Ressurreição de Cristo. A mais importante festa do calendário cristão, também tempo de confraternização da família, deu origem a um ciclo etnográfico específico – o ciclo pascal – cujos elementos constitutivos têm precisamente carácter religioso e familiar.

Marcando o fim do longo período de jejuns e abstinências da Quaresma, não é de surpreender que tantos dos costumes tradicionais desta época se prendam com o comer e o beber.

Na festa pascal, em Portugal, não há, como na consoada natalícia, um tão característico receituário de pitéus. A família reunida em comunhão física e espiritual tanto come, no Alentejo, o borrego ou o cabrito, assado ou ensopado, como na zona do Porto o lombo de boi («boi da Páscoa»), o galo ou a galinha, ou quaisquer outros pratos genericamente de festança, como, por exemplo, a chanfana e o leitão assado em parte da Beira Litoral.

Carne, sempre; talvez com alguma preferência generalizada pelos filhotes da ovelha e da cabra. Espreite-se o jantar dos padres e acólitos depois da canseira da visita pascal em terras da Beira Alta, que Aquilino Ribeiro bosqueja em Terras do Demo: «Comeram-lhe à tripa forra carniça refogada, cozida, assada, de porco, de vaca, de chibato, carniça para todos os paladares. O arroz estava de se trocar por um prato dele a imortalidade, o cabrito, rechinado no espeto e picadinho de sal, até fazia cócegas no céu da boca».

O facto de não haver qualquer prato de peixe na indumentária emental da quadra é absolutamente compreensível se nos lembrarmos da abstinência quaresmal em relação à carne. O fim da sua proibição era assim traduzido, na Beira Baixa:

«Aleluia, aleluia,
Aleluia, que já é festa;
Quem tiver bacalhau
Bata com ele na testa».

O excessivo consumo, até ao fartum, do outrora amigo do povo, deu origem à realização em muitas localidades do «enterro» ou «julgamento do bacalhau».

A doçaria pascal é outra conversa.

Guia da Semana - EXPRESSO - Edição Norte

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