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Solos
calcários e largas horas de exposição solar. Foram este os
condimentos locais que estiveram presentes durante as primeiras
plantações de citrinos em terras algarvias no longínquo século XVI.
A receita edafo-climática manteve-se inalterada desde então e a
laranja acabou por se fixar ao longo dos tempos como um dos produtos
bandeira do Algarve. A qualidade dos frutos produzidos sob o binómio
solo/sol tem permitido acolher também outros membros da família dos
citrinos, o que a partir de 1996 certificou a região como uma
Denominação de Origem Protegida.
O clima
específico reflecte-se não apenas nas laranjas mas também noutras
variantes cítricas como as clementinas, as mandarinas, as toranjas,
os limões e, em tempos idos, as limas. O grande impulso da cultura
aconteceu a partir da Época dos Descobrimentos. No século XV já
existiam na Europa algumas espécies, como a cidra e a laranja. A
laranja já era conhecida desde a Antiguidade, mas as culturas eram
pouco expressivas e ácidas. A difusão de outras espécies aconteceu
provavelmente devido às relações comerciais com a China, um século
depois. O Sul da Europa começou a ser terra fértil para as
variedades trazidas do Oriente e do Norte de África.
Espanhóis e
Portugueses levaram as novas espécies para outras paragens. As rotas
marítimas traçadas pelos navegadores lusos fizeram de palavras como
'portokal' e 'porthogal' baptizarem a laranja em diversos destinos a
caminho da Ásia. A partir do século XVII o Algarve já reflecte a
qualidade das suas laranjas (Citrus sinensis) através do
registo de exportações. Outros tipos de citrinos foram aclimatados
com sucesso nas décadas seguintes. O clima ameno e as
características das terras são a base dos frutos de qualidade que se
cultivam actualmente numa área com cerca de 18.000 hectares.
A produção
anual dos vários tipos de citrinos ronda as 250.000 toneladas, com
especial incidência nas laranjas e clementinas, sendo menos a
cultura de toranjas e limões. Dois terços dos citrinos consumidos
entre nós provêm do Algarve. As variedades mais doces são vendidas
ao natural e as mais ácidas são usadas em compotas ou licores. A
colheita é faseada segundo a variedade, com maior incidência no
Inverno e na Primavera. Os limões apesar de representarem uma parte
residual estão disponíveis em todo o ano. |