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»» Gastronomia e Vinhos >> As refeições no tempo dos nossos "Avós" Pub

 

As refeições no tempo dos nossos "Avós" - ESTREMADURA | Índice inicial

 

 

Lisboa (o que se come e onde):

«Foram célebres os bifes do Marrare e do Jansen, as iscas à cortadora, por 80 réis. Lisboa, e as iscas com ou sem elas, a 20 e 30 réis. Lisboa hoje, petisca, toma leite…chá e come bolos. Antigamente comia nos restaurantes manhosos e nas tascas, mas comia. Hoje alimenta-se… nas leitarias. De maneira que os finos vão à Garret, ao Tavares, à Marques ou comem bem ou comem bolos…Os médios, a quem apraz comida suculenta, vão ao Estrela de Ouro, aos Irmãos Unidos, ao Leão de Ouro, aos restaurantes da Rua de S. Julião ou ao Martinho da Arcada… Há os que preferem a Travessa da Palha e o Arco do Bandeira… onde por menos não são pior servidos.

Lá existe o João do Grão… e o Cesteiro, onde o vinho verde, no Verão, é coisa de ressuscitar um morto. Depois os restaurantes-tabernas em volta da Praça da Figueira, com a bela sardinha a saltar…

Há as tendinhas-barracas, em volta do Mercado de 24 de Julho…

Há ainda os clubes chiques e as tascas, onde se alimentam actores e noctívagos…, as cozinhas económicas e a sopa dos pobres, à porta dos quartéis…

Lisboa come também nas hortas, em Algés, em Benfica, no Lumiar. Come o que leva de casa e o que encontra no caminho. Come bacalhau e queijo Roquefort, come presunto Anglo e presunto de Lamego, come foie-gras e alheiras de Bragança… Come-se [goraz] assado, cozido, frito, de salmoura, de escabeche, com molho ou sem molho, em gigot, sur canapé, nu ou vestido, grelhado ou no espeto, refogado ou em recheio, no forno ou nas brasas, estufado ou em sangue, com trufas ou com pickles, de cebolada ou de caril, de empadão ou de fritangada.»(1)

(1)  Diário de Notícias, de 29-III-925


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