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«Ao receituário, herdado das avós, em que os produtos da região
constituem, obrigatoriamente, a base da gastronomia tradicional. Mel
aromatizado com a flor da borragem e da esteva, azeite e azeitonas,
queijo, broa... A castanha foi substituída pela batata, o milho era
usado nos caldos de unto, nos migados e no pão, a couve fazia as
delicias do caldo verde e o vinho nunca faltava à mesa.
As
galinhas eram fundamentais na economia rural, pelos seus ovos, pela sua
carne e pelos bons caldos. Mas: "Ovos e galinhas só em dia de romaria ou
se alguém adoecia". Tirando estes casos, os ovos eram para vender na
feira e comprar arroz, açúcar e até sardinhas. |
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A
matança do porco era um acontecimento que alegrava os fumeiros dos
casais. Vitela e vaca, só se comiam nas bodas ricas, carneiro, cabra,
anho ou cabrito, somente nas festas ou nos trabalhos comunitários. Os
docentes também estavam reservados para os dias de cerimónia: regueifas
e rosquilhos, papudos e beijinhos, bolos d'ouro, bolo de prata e
pão-de-ló.» (*) |