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Bolo de Mel
É da tradição preparar a iguaria para «as Festas» de Natal, mas o
bolo de mel é resistente e, bem acondicionado, rende por meses,
dependendo sobretudo da gulodice das pessoas da casa.
Bate-se à mão, em alguidar de barro, largo, pesado, e é uma bomba da
gastronomia, herdeira das rotas da Índia, quando as caravelas
aportavam à baía do Funchal para aguadas (e «vinhadas» do Madeira) e
deixavam as especiarias das paragens longínquas.
Por isso entram na sua confecção a canela, o cravo da Índia, a
erva-doce, o cravo Maranhão, a noz moscada, e, claro, farinha,
açúcar, banha de porco, amêndoa, cidra, variadas passas, nozes, mel
de cana, raspa de limão e de laranja, aguardente de cana e vinho
Madeira, velho de preferência.
Da lista de iguarias percebe-se a correspondente calórica. Mas época
natalícia sem o bolo de mel para ofertar a quem vem pelas «boas
festas», nem pensar.
Hoje é tudo diferente: escasseiam as latas onde por hábito se
guardavam as peças excedentes para aproveitar com o andar do ano, e
a comercialização coloca ao alcance de qualquer mão, em
supermercados e lojas de «souvenirs», exemplares que, se pouco têm a
ver com o produto caseiro, também não são intragáveis. |