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Barquilhos de laranja
Apresentado em pequenos barcos de hóstia, trata-se do doce
característico de Setúbal, provavelmente uma reminiscência dos
tempos em que os laranjais ocupavam uma parte importante da
Península.
Note-se que a produção de citrinos já foi ali tão importante que
ainda hoje as laranjas sem caroço são designadas «da baía» … da baía
de Setúbal, obviamente.
Embora já há várias décadas a produção destes frutos tenham migrado
para o Algarve, muitas das tradições do laranjal da península de
Setúbal mantiveram-se.
Tire a casca a um quilo de laranjas, corte em talhadas, elimine os
caroços e coloque num alguidar com água.
Passadas umas horas, escorrem-se e colocam-se num tacho grande,
cobram-se com água e levam-se a cozer.
Depois de cozidas escorrem-se novamente e deixam-se em água fria,
onde permanecem nove dias mudando-se a água todos os dias.
Ao décimo dia escorrem-se e pesam-se.
Com o mesmo peso de açúcar pilé e a metade do peso de água
prepara-se uma calda que vai ao lume até ferver.
Deitam-se, então, os pedaços de laranja e mexe-se até se obter o
ponto de pasta, caso se pretenda guardar, ou de espadana, no caso de
se pretender consumir imediatamente.
Se não quiser dar-se ao trabalho de confeccionar as formas de
hóstia, pode adquiri-las já feitas. Ou usar o doce para barrar o
pão.
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