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FARINHEIRA
Este
enchido é igualmente fruto de um truque dos judeus para fingirem que
faziam enchidos – logo, que consumiam porco – e desse modo escaparem
aos inquisidores que identificavam os filhos de Israel pelos hábitos
alimentares.
Em lugar do pão usado nas alheiras, neste caso, e como o nome
indica, o elemento de ligação utilizado é a farinha. Hoje a
farinheiras já são elaboradas com a carne entremeada do porco, e
temperadas, consoante a região, com colorau, massa de pimentão,
vinho e, em certas zonas, até com sumo de laranja.
As farinheiras podem ser consumidas fritas, assadas no forno ou
incluídas no cozido à portuguesa a complementar os restantes
enchidos geralmente utilizados na confecção deste prato
iminentemente português.
Um prato relativamente pouco conhecido – mas bastante agradável –
que pode ser confeccionado com farinheiras é o chamado arroz de
forno, que se prepara como passamos a descrever:
Faça um refogado com azeite, uma cebola picada e dois dentes de
alho, igualmente picados. Quando o refogado estiver bem apurado,
junte uma folha de louro e quatro chávenas de água.
Tempere com sal e pimenta, deixe levantar fervura e junte duas
chávenas de arroz. Deixe cozer entre 3 a 5 minutos, mexendo um pouco
logo após a junção do arroz, a fim de separar os bagos e evitar que
se peguem ao tacho.
Enquanto o arroz coze, pique três farinheiras com um palito ou um
garfo, escalde-as em água a ferver, escorra-as e ponha-as sobre o
arroz, entretanto colocado numa travessa de paredes altas. Leve ao
forno, deixando que as farinheiras fiquem tostadas, derramando pelos
orifícios abertos uma parte da gordura sobre o arroz. Antes de
servir, pode enfeitar com azeitonas e um ramo de salsa.
É um prato de confecção simples que pode ser acompanhado por um bom
vinho levemente adstringente. |