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Sardinhas doces de Trancoso
O
recheio é constituído por amêndoas raladas, ovos
e açúcar.
Depois, todos estes condimentos são envoltos
numa «massa tenra», à qual se dá a forma de
peixe.
Após fritura em lume brando, é polvilhada com
açúcar.
Chamam-lhe sardinhas doces e a receita nasceu no
extinto Convento de Santa Clara, que se situava
em frente ao Largo do Pelourinho.
Maria Conceição Pinheiro, última mulher a
confeccioná-las em Trancoso, não garante que a
receita seja assim tão simples…
No largo do castelo, cuja toponímia lhe atribui
o nome de D. Afonso Henriques, pergunte pela
casa da doceira, pois as portas não estão
numeradas. Em alternativa, se tiver bom olfacto,
deixe-se guiar por ele, pois lá de dentro vem o
cheiro a fritura das sardinhas doces.
Lá chegado, dificilmente sairá sem provar também
a bola de folhas, e mais difícil ainda será
decidir de qual vai sentir mais saudades.
A tradição conta que a origem deste petisco
nasceu da necessidade de satisfazer a
insuficiência de peixe, cujo transporte era,
noutros tempos, muito demorado e irregular para
as regiões do interior.
Felizmente que, depois de resolvido o problema
do abastecimento de pescado (…), Maria da
Conceição não deixou morrer a tradição. |