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CAVACAS DE RESENDE
“Ò freguesinho, não vai meio arrátele?
Olhe que são de Resende!”, era desta
forma que as doceiras do concelho apregoavam, no
século XIX, um dos doces regionais mais
deliciosos e apreciados nesta região duriense:
as Cavacas de Resende.
Este relato é referido num Jornal da época, que
ainda salienta o seguinte: “Logo de manhã as
doceiras estendiam sobre a toalha, toda franjada
de rendas, vários doces muito cobertos de açúcar
que despertavam a gulodice dos romeiros”.
Não havia quem resistisse àquele pregão e muito
menos às Cavacas!
Nessa época, eram feitas em diversos locais do
concelho, nomeadamente Felgueiras, Pimeirol,
Vinhós, Lages e Corvo e eram vendidas nas
feiras, festas e romarias.
Na Páscoa, este doce era oferecido como folar e
no Natal, havia a tradição dos caseiros
oferecerem cavacas aos patrões, colocadas em
“condessas” (pequenas cestas), épocas do ano em
que a procura aumentava e as doceiras “não
tinham mãos a medir”, muitas vezes trabalhando
dia e noite.
Hoje, as Cavacas encontram-se à venda durante
todo o ano em quase todos os cafés, pastelarias
e restaurantes do concelho e, como a sua
confecção é aparentemente fácil, há muitas
pessoas que as sabem confeccionar, não correndo
o risco de esta tradição acabar.
Origem
Sobre a origem deste precioso doce não há
registos, no entanto, existe uma lenda que
defende o seguinte: na Idade Média, uma senhora
que residia em Vinhós preparava a boda de
casamento da sua filha e confeccionou o bolo de
noiva, entretanto, o casamento teve de ser
adiado devido a uma peste que estava a assolar o
concelho e, dadas as parcas possibilidades
económicas, a senhora viu-se obrigada a
conservar o bolo até á data do casamento, pelo
que retirou a parte de cima daquele e molhou a
parte restante numa calda de açúcar que lhe
restituiu a frescura e fez as delícias de todos
os convidados.
Confecção
Esta delícia da doçaria tradicional, conhecida
desde tempos imemoriais, ainda é feita, por
regra, à moda antiga, mexida à mão e cozida nos
fornos alimentados a lenha, tal como faziam no
tempo dos nossos avós.
A Cavaca, que mede cerca de 5 cm de comprimento
por 2,5 cm de largura e 2 cm de espessura
necessita para a sua confecção de apenas três
ingredientes: ovos, farinha e açúcar. A receita
para 12 cavacas é a seguinte:
Ingredientes:
8 ovos e 7 gemas
750 gramas de açúcar
280 gramas de farinha
Manteiga q.b (para untar o tabuleiro)
Introduza os ovos inteiros e as gemas num
alguidar. Acrescente 250 gramas de açúcar e bata
muito bem até obter um preparado branco e
espumoso. Junte-lhe a farinha e bata até a massa
ficar bem ligada e homogénea. Deite-a num
tabuleiro de bordos altos bem untado e leve a
forno brando para cozer. Entretanto, faça uma
calda em ponto de espadana com o restante açúcar
e 2 dl de água. Uma vez a massa cozida, vire-a
sobre um guardanapo e deixe-a arrefecer. Corte-a
depois em rectângulos de 5 cm de espessura,
passe-os pela calda de açúcar e farinha e
deixe-os secar sobre uma grade.
Segundo o método artesanal, a massa bate-se num
aparelho movido à mão denominado “banco”
(utensílio constituído por um alguidar dentro de
um banco, ladeado por umas correias que batem a
massa), devem utilizar-se ovos muito frescos e
caseiros e a sua cozedura deve realizar-se no
forno a lenha, numa apologia do que é
tradicional é bom. Depois da cozedura, são
cobertas com a calda já referida e o resultado
são doces maravilhas, que acompanhadas por um
cálice de vinho do Porto, fazem as delícias de
muitos.
Mas, não se iludam os que tencionam confeccionar
esta iguaria, pois, para além de a tradição ser
um dos segredos do sucesso, há quem afirme que
as Cavacas são um doce fino que só as mulheres
de Resende o sabem
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