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Doces Regionais do Algarve
A
frase mais popular do Algarve é a que diz que o mar comanda a mesa e
a amendoeira a sobremesa. E de tal forma isso é verdade que até as
sobremesas de amêndoa são confeccionadas com as formas dos peixes e
mariscos que povoam as águas algarvias.
Para quem gostar de conhecer a flor que dá origem a este fruto seco,
a altura ideal para visitar o Algarve é entre Fevereiro e Abril,
consoante a Primavera chega mais ou menos precocemente, coisa que
hoje em dia ninguém já sabe prever, pois as estações do ano já não
são o que eram. Nesta altura, a sua flor branca quase engana o
visitante, fazendo-o pensar que se encontra num chão coberto de neve
branca.
De resto, esta árvore de alegria primaveril povoa o Algarve desde
tempos remotos, pelo menos desde a presença dos árabes. A amendoeira
ter-se-ia instalado por aqui, segundo reza a tradição popular,
quando o rei árabe Al-Mutamid se apaixonou por Romaiquia, princesa
vinda dos países nórdicos e por essa razão habituada ao frio e ao
manto branco da neve. Quando a princesa chegou ao Algarve o rei, que
entretanto se fez seu marido, apercebeu-se que Romaiquia vivia
mergulhada numa profunda tristeza.
Preocupado com o seu estado, perguntou-lhe qual era a razão de
tamanho desgosto. Ao que a princesa respondeu ser a falta do manto
branco que cobria o seu país na maior parte dos meses do ano. De
imediato o rei se lembrou de ordenar aos seus súbditos que
plantassem no seu reino amendoeiras. Este obedeceram ao soberano e
rapidamente as floridas árvores passaram a cobrir de branco as
colinas da região.
Foi, provavelmente, a partir dessa altura que, com o fruto desta
árvore, depois de seco, se criaram no Algarve as suas mais famosas
iguarias, os Doces de Amêndoa. Mas para que estes doces
tenham aparecido foram a e são necessários verdadeiros artistas
culinários para criar as variadas formas que actualmente adornam as
vitrinas das pastelarias e adoçam os lábios dos gulosos.
Estas formas vão desde os peixes e mariscos às flores, frutos,
galinhas e pintos, ervilhas, tremoços, cenouras, nabos e tudo aquilo
que a imaginação do doceiro seja capaz de moldar.
A fama destes doces já ultrapassou as fronteiras portuguesas, sendo
muito conhecidos e apreciados pelos estrangeiros que os conhecem
como docinhos de marzipan, o que não deixa de ter um fundo de
verdade uma vez que esta massa, embora seja conhecida como massa de
doce regional ou de morgadinho, é também uma mistura de massapão.
Para quem desejar meter mãos a uma tarefa tão complicada e recriar
em sua casa estes coloridos doces, aqui fica uma receita.
Os ingredientes são apenas três: amêndoa (250g), açúcar (250g) e uma
clara de ovo. Comece por escaldar as amêndoas em água a ferver,
pelando-as e secando-as em seguida, para depois as ralar de forma a
obter um pó tão fino quanto possível. De seguida, junte a amêndoa ao
açúcar amassando tudo com a clara do ovo até obter uma massa
consistente e moldável.
Deixe a massa descansar pelo menos uma hora, para depois a dividir
aos bocados e lhes dar a forma desejada. Para os colorir utilize os
corantes próprios que pode adquirir nas pastelarias ou padarias –
mas use-os com moderação, pois são constituídos por compostos
químicos, muitos dos quais se sabe serem agressivos para o organismo
humano… outros nem sequer se sabe que influências perversas podem
ter.
Se desejar seguir a tradição, utilize o rosa claro (para formar as
pétalas das flores), o amarelo (para o olho da flor), o verde (para
as folhas), e o castanho (para os troncos). No caso dos peixes, as
cores mais usadas são o amarelo (escuro e claro) e o rosa. Depois de
moldados conservam-se no frigorífico cobertos com um pano húmido.
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