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Delícias de montes e
vales
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Uma das necessidades básicas do Homem é comer, e quando o faz com arte e
engenho, fá-lo da forma mais perfeita, conquistando um lugar de destaque
nos marcos da cultura.
A geografia e as condições de vida são determinantes nos
costumes e práticas culturais
transmontanas. |
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Os hábitos alimentares são marcados pelo isolamento a que, durante
séculos, Trás-os-Montes se viu confinado,
sustentado na inexistência ou precariedade de vias de comunicação, e em
duas imponentes barreiras naturais, de respeito – a Serra do Marão e o
Rio Douro, outrora tumultuoso, além da zona igualmente montanhosa, ou de
relevo acidentado, do nordeste do distrito.
Os transmontanos não renegaram a terra, respeitaram-na e souberam moldar
as agruras que a definem, às necessidades mais prementes do seu
quotidiano, e da sua condição humana. Assim, de toda a dureza de uma
terra, conseguiram, com um esforço hercúleo, fazer brotar dela o
alimento, tão rústico quanto saboroso e mesmo saudável.
Logo a encimar a arte gastronómica surge o
porco,
onde cada pedaço é aproveitado, e com a sua expressão mais nobre no
Fumeiro, sendo o
presunto e os enchidos componente
ou complemento habituais, em qualquer ponto ou lugar do distrito.
Os montes e vales transmontanos criam uma fauna autóctone como a
inigualável carne de vitela, tenra e suculenta que, assada em brasas ou
em forno a lenha, conquista qualquer paladar mais exigente.
Acrescenta-se também o cabrito assado, que endeusa a cozinha
transmontana, merecidamente, e algumas espécies de caça, tomando como
exemplo o coelho e o javali.
Afastado do litoral, Trás-os-Montes não possui uma ancestralidade
acentuada no consumo de peixes, no entanto, tem representatividade numa
diversidade de receitas, onde o bacalhau constitui cabeça de lista. O
leito dos seus rios é viveiro das saborosas trutas, que possuem um lugar
de destaque, no grupo dos pratos mais requintados.
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