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Durante a Semana Santa, Braga acolhe milhares de peregrinos oriundos de todo
o país e da Galiza. É um ritual dominado pelo conjunto de procissões
nocturnas envoltas numa forte intensidade dramática. É assim logo na
Quinta-Feira Santa com a Procissão das Endoenças, ou, segundo a
designação popular, do Senhor da Cana Verde. Em Braga, a procissão é
também apelidada de «Senhor Ecce Homo».
Ainda hoje é considerada a Festa da Irmandade da Misericórdia, à qual são
obrigados a assitir todos os irmãos. Na procissão vai a imagem de Cristo
coroada de espinhos, mas a segurar um ceptro, figurado numa cana verde.
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Segundo o cerimonial de 1628, a procissão deverá sair da igreja da
Misericórdia «às oito horas da tarde pela porta travessa e entrará na Sé
pela porta de São Geraldo, e tomando as claustras entrará outra vez na Sé, e
sairá pela porta principal, indo pelas ruas costumadas (…). Diante da
procissão irão os fogaréus e
logo as lanternas, no fim das quais irá uma
bandeira das da Casa que levará um Irmão nobre».
Havia regas precisas para o cortejo religioso, uma vez que os irmãos
levariam tochas e um deles a representação do Senhor Ecce Homo. No final
segue um andor transportado aos ombros dos devotos, a imagem do «Ecce homo
de vulto». Alguns sacerdotes devem entoar o salmo «Miserere mei Deus»,
a que responderão outros sacerdotes.
Na Sexta-feira Santa o destaque vai para a Procissão do Enterro do Senhor,
que, segundo o opúsculo «Procissões da Semana Santa», do padre
José Manuel
Semedo de Azevedo, «não está determinada pelas rubricas do Missal Romano»,
mas estabeleceu-se em Portugal em finais do séc. XV.
É uma manifestação impressionante, com os mesários e irmãos da Misericórdia
e Santa Cruz encapuçados, as varas a rasto, os cónegos em os seus mantos e
varas arrastados pelas ruas, os meninos vestidos de anjos a arrastar as
cruzes. O rumorejar de todas aquelas vestes e varas arrastadas é quebrado
quando uma voz se eleva por entre a multidão para entoar «A el libitum
Lamentabile»; «Heu Heu Domine Heu Salvator».
As matracas que na véspera, na procissão do Senhor Ecce Homo chamaram
de dia os irmãos da Misericórdia e à noite, juntamente com os fogaréus,
levados pelos farricocos, se incorporaram no desfile, vão silenciosas nesta
procissão do Enterro. São arrastadas pelos penitentes, descalços e
encarapuçados.
Sendo estes os momentos cruciais da Semana Santa bracarense, o certo é que,
além de se prolongarem até Domingo, a festa começa muito antes de
Quinta-feira. |