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Na raiz desta cerimónia (que foi regulamentada e ressuscitada nos anos 40,
após a Exposição do Mundo Português) estão as Festas do Imperador,
instituídas por D. Dinis e pela Rainha Santa no quadro do culto do
Espírito Santo. Esta celebração, muito marcada pelos ideais franciscanos
(a fraternidade, a partilha do bodo), terá influências ainda mais antigas,
relacionadas com a entrega aos deuses das primícias dos frutos da terra.
Resta saber se este culto do Espírito Santo – mal visto pela Inquisição por
bulir com
o
dogma da Santíssima Trindade – não se arreigou também por influência dos
Templários, cuja sede foi em Tomar até à extinção da ordem por alegada
heresia, em 1307.
A coroa de prata do império da Asseiceira (1544) testemunha a antiguidade do
culto em Tomar. Ainda no meio do século passado há registos de festas do
Espírito Santo na cidade. Em 1879 realizou-se a primeira festa dos
Tabuleiros que se repetiria mais seis vezes até 1910. A implantação de
República e a I Guerra Mundial fizeram com que só voltasse a haver cortejo
em 1914.
O renascimento da festa, a partir da Exposição do Mundo Português (1940),
apenas reteve as características mais espectaculares do evento (o cortejo
dos tabuleiros), deixando cair a tradição da coroação e dos impérios.
Pode
dizer-se que a festa começa no Domingo de Páscoa, com a saída das coroas.
Antigamente o cortejo saía de casa do mordomo responsável pela guarda das
insígnias do Espírito Santo
(como ainda sucede nos Açores). Actualmente, forma-se junto à Misericórdia
(fiel depositária das relíquias) e dirige-se para a Igreja de São João
Baptista onde é celebrada a missa. Realizam-se sete saídas entre a Páscoa e
o Pentecostes, todas percorrendo as ruas da cidade, precedidas por
fogueteiros e gaiteiros e acompanhadas por bandas de música. Criou-se o
costume de as ruas serem ornamentadas e, nalgumas artérias do centro
histórico, (…), a decoração à base de arcos e flores de papel só tem par na
afamada Festa das Flores de
Campo Maior. |