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É no convento de Nossa Senhora da Esperança que se dá guarida à
imagem. O convento começou a ser edificado na primeira metade do século XVI.
Preparam-se os festejos, enfeita-se o edifício, enriquece-se o conjunto com
iluminações.
A procissão passeará por diversas artérias da cidade, todas ornamentadas com
tapetes florais ricamente trabalhados numa quase compita para saber qual das
artérias da urbe apresenta mais criatividade. Tudo
para impressionar e
render tributo e homenagem sentida ao Senhor dos Milagres, que passeará por
cima desta arte efémera carregado de todo o ouro que é «humanamente»
possível carregar.
Não há símbolo mais intenso e perene para o conjunto dos açorianos que esta
imagem do Ecce Homo ferido e cansado das sevícias.
Os peregrinos vêm para participar simplesmente, ou trazem com eles o peso de
alguma
promessa. E é frequente ver crentes marchando
de joelhos sobre o que
resta da tapeçaria floral após a passagem do andor, com pesados braçados de
círios. E nos tempos em que a navegação de cabotagem entre as ilhas era
ainda uma realidade, era ver gente aos magotes, proveniente de todas as
ilhas.
As oferendas são formidáveis e, acumuladas durante anos, constituem hoje um
tesouro de valor muito superior a qualquer cálculo. O próprio Rei D. João
V foi um dos penitentes ofertantes.
A imagem votiva tem a sua história e a sua lenda. Da história reza ter sido
oferecida pelo Papa Paulo III às freiras que tinham ido a Roma
solicitar-lhe bula de definição do seu convento. A lenda é que deu à costa
depois de ter sido
roubado por holandeses que tinham saqueado o Convento da
localidade da Caloura. E agora todos lhe espreitam as feições no cortejo:
se
está triste, o ano será ruim; se está alegre, ele virá de feição para o povo
ilhéu. Mas como pode estar alegre a cara de um homem seviciado?! |