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Festa da Mãe Soberana
Loulé - Algarve
Na última curva da estrada estreitinha que liga Loulé aos Santuário de Nossa
Senhora da Piedade, alcandorado no alto da colina, começa a ouvir-se o
clamor da multidão. Milhares de lenços brancos acenam e os gritos de
incitamento são cada vez mais altos. A banda começa então a tocar o
«rompe-rompe», uma marcha rápida composta só para tambores, há cerca de 200
anos, por mestre Campina, sapateiro de profissão. Os oito homens que
carregam o andor de 18 arrobas onde está a imagem da Mãe Soberana, com o
Filho morto nos braços, iniciam então uma corrida desenfreada ladeira acima,
seguidos pelos músicos e milhares de fiéis. À sua passagem, a mole humana
que se espraia por toda a colina solta vivas emocionados.
E assim, no segundo Domingo depois da Páscoa, desde o séc. XVI, quando foi
erigido o santuário cujos azulejos e pinturas do texto estão enegrecidos
pelo fumo de milhares de velas ali acesas pelo povo para pagar promessas.
No Domingo da «Festa Grande», o andor é retirado em ombros do interior da
igreja de S. Francisco e sai em longa peregrinação citadina, acompanhada
pelo estralejar dos foguetes e por cânticos de exaltação. Os fiéis exortam a
Mãe Soberana a conceder-lhes as graças pedidas, em tom alegre, mesmo
festivo. Um dos apelos mais frequentes é este: «Mãe, dá-me que eu careço!».
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