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Festa da Coca
Monção - Alto Minho
Entusiasmada com os avanços da Coca, a multidão acicata São Jorge para que
invista sobre o mostro. A luta começa logo após a procissão do Corpo de
Deus, na Praça de Deuladeu, em Monção. A assistência forma um círculo em
torno do dragão e do cavaleiro. Este representa São Jorge. Designado por
Coca, o «animal» é constituído por uma armação em madeira que homens
movimentam a partir do interior. A batalha termina sempre com a vitória do
santo que, num último assalto, corta uma das orelhas á Coca. Desconhece-se o
que fez surgir esta tradição de que há memória desde o século XVI, e que não
se repete em mais nenhuma localidade do país.
Envolto
numa capa vermelha, armado de elmo e lança, o cavaleiro faz-se ao dragão
desferindo-lhe rudes golpes, de modo a desfazer-lhe a carapaça. As cores
berrantes do mostro chegam por vezes a assustar o cavalo. Mas o gáudio das
gentes atinge o rubro quanto o santo enfrenta a Coca e lhe rouba a orelha.
Sem ela o dragão fica incapacitado para continuar a lutar. Esvazia-se a
praça: o Mal foi vencido pelo cavaleiro do Bem. É aqui que radica a génese
da festa da Coca, palavra que no Minho significa maldade.
No largo onde se dá a luta da Coca – o antigo terreiro – ergueu-se um
monumento a Deuladeu, a mulher de Vasco de Abreu, o alcaide de monção quando
governava D. Fernando I. Esta mulher protagonizou, tal como o combate contra
a Coca, uma mítica história ligada à defesa da vila. Durante um cerco
castelhano, vendo que a presença das tropas inimigas se perpetuava além das
possibilidades de defesa, decidiu cozer uns pães com a escassa farinha que
lhes restava e atirá-los aos sitiantes, com o recado de que, se precisassem
de mais mantimentos, ainda havia cereal disponível. Acreditaram nisso as
tropas de Henrique II de Castela e levantaram cerco, por afinal estarem tão
mal de provisões como os sitiados. A audaz Deuladeu, na praça com o seu
nome, está representada com uma peneira de farinha na mão esquerda, numa
clara alusão à acção que a tornou famosa.
Importante praça na defesa da fronteira, na margem esquerda do Minho, foi
dotada de um castelo no século XIV, durante o reinado de D. Dinis.
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Festa da Coca -
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