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Tal feira é uma exposição de trabalhos regionais,
não só de olaria, mas também de tecidos de linho; - aparecendo ainda à
venda mantas, cobertas de cama, e coisas assim. Tudo isto proveniente de
incansável indústria caseira, que ali, embora rústica, se revela
artística na ideação e na execução.
É, porém, de olaria que, embora muito ao de leve,
nestas abreviadas notas se falará agora.
* * *
Logo pela manhãzinha, na véspera de São Pedro, vão
chegando cestos e cestos de louça de barro, pelo ordinário negra, à Rua
Central, em frente à capela do nome daquele santo, - que é onde a
«feira» se efectua.
Esta louça vem hoje de Bisalhães, povoaçãozita
perto de Vila Real, mas dantes o fabrico estendia-se a Lordelo.
Se fores a Bisalhães,
à terra dos paneleiros,
dá por lá uma vista de olhos
à sombra dos castanheiros.
(A.C. Pires de Lima, Cancioneiro Popular de Vila
Real, Porto 1928, pág. 208)
É fabricada por processos primitivos, mas com rara
habilidade e perfeição. Usam a velha roda-de-oleiro, a que imprimem o
movimento com as mãos. Enquanto a roda gira por si, o oleiro trabalha a
massa de barro. Quando tal não pode fazer, por o objecto ser grande –
talha alta, por exemplo -, é um que trabalha, e outro que dá movimento à
roda.
Para ornamentar a louça, servem-se, geralmente, de
um gôgo (pedra rolada dos rios e ribeiros). A louça é assim –
gogada. As partes por onde o gôgo passou ficam, após a
cozedura, diferenciadamente polidas, brilhantes. Mas, para obter certos
efeitos, usam pauzinhos, cartuchos de bala, meias canas, etc. Os ornatos
são coisa, em regra, muito simples em rude.
A louça é cozida em fornos crateriformes. O
enegrecimento do barro é feito pelo fumo, por combustão incompleta. Duas
horas de forno bastam para o barro ficar negro.
Vê-se, pois, como é primitiva a fabricação desta
louça. Apesar disso, e apesar da falta de educação artística dos
oleiros, a louça é excelente de trabalho e aspecto.
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