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A
Feira de Barcelos foi até meados do século XX o palco de excelência
de promoção das famosas louças de Barcelos e espaço privilegiado para
inúmeros barristas que hoje fazem parte da galeria dos notáveis mestres
da arte popular, como é bom exemplo
Rosa Ramalho. A feira foi uma
alavanca importante para a sustentabilidade, afirmação e promoção das
louças de Barcelos e mais tarde dos barristas, e transformou-se num
evento de notoriedade europeia e mundial, em virtude do seu interesse
turístico, etnográfico e cultural. |
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A este facto não pode ser dissociada a figura do Galo de Barcelos que
foi muito valorizada pelo estado Novo como símbolo de identidade
nacional, o que levou a que a própria feira beneficiasse desse efeito
dado que era um dos seus mais importantes palcos de divulgação.
A feira
sofreu um processo evolutivo decorrente das mudanças dos padrões de
consumo. Manteve, contudo, na sua estrutura os argumentos de identidade
que a fizeram crescer e ganhar notoriedade. Neste contexto, destaca-se a
continuidade dos talhões ligados às tradições cerâmicas e artesanais do
concelho de Barcelos e a ligação estreita e umbilical ao mundo rural.
Estas características fazem da feira um “documento vivo” onde é possível
sentir a autenticidade da cultura minhota. É esta diversidade que faz da
feira semanal um evento de reconhecido interesse turístico, etnográfico
e cultural único em Portugal.
O mercado tradicional na Euro-região
O
território da Euro-Região tem uma base identitária, histórica e cultural
comum que se reflete em diversos aspetos da vida quotidiana de cada uma
das regiões. As práticas agrícolas e agropecuárias são disso um bom
exemplo, a relação do homem com o território mostra que o primeiro
modelou e foi modelado de forma idêntica em cada um dos espaços. A “arte
de fazer feira” é comum a estes dois territórios e foi ao longo dos
tempos a forma de promover trocas diretas, de encontro entre mercados e
de desenvolvimento de algumas localidades que tinham neste
“acontecimento” de natureza semanal, quinzenal, mensal ou anual o
momento de afirmação regional. Muitas vezes ligadas aos ciclos de
festividades religiosas foram no tempo uma forma de afirmação e
geo-posicionamento de muitas localidades, em face da maior ou menor
importância da “feira” ou do “mercado”. Foram também um palco de trocas
de experiências de natureza cultural, comercial e etnográfica entre
estes povos. Veja-se o exemplo da cidade de Barcelos, em Portugal, que
sempre teve na Feira semanal, desde a idade medieval, uma âncora de
desenvolvimento, ao ponto da “medida de Barcelos” ser uma
referência de preço para toda a região, o que demonstra a importância
deste tipo de manifestações para a vida cultural, económica e social
destas comunidades.
In: Folheto promocional |