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"Não vás ao mar toino". Este é um dos versos mais populares do
vira da Nazaré. Como não poderia deixar de ser, em terra de pescadores,
o mar é quem mais ordena. Põe e dispõe da vida das gentes. É dele que
depende o seu dia-a-dia. É ele que lhes dá o pão, as alegrias e as
angustias. E para expressar tudo isso, os pescadores e as suas mulheres
sempre deram primazia à música e à dança. Prova disso são os ranchos
folclóricos que foram surgindo naquela localidade piscatória.
Antigamente, mal vinham da faina do mar, os pescadores pegavam no
harmónio, num cântaro e num abano de assar a sardinha, numa garrafa e
num garfo, que colocavam dentro para dar ritmo, nuns ferrinhos, nas
velhas violas, nas flautas e nas pinhas que passavam uma na outra e
partiam para a folia, para as festas da Senhora da Luz, de S. Brás e de
Santo Amaro, nos arredores da Nazaré. É que apesar dos perigos a que
estão constantemente sujeitas, as gentes do mar têm uma alegria
esfuziante que deixam transparecer nas danças ritmadas. Cada peça de
roupa com que encenam o vira tem um significado próprio. Os homens
vestem a camisa de xadrez e as ceroulas de trabalho, colocam o barrete
na cabeça, que serve para levar o tabaco, o dinheiro e também para
proteger do sol e do frio e rematam com a faixa na cintara, que na faina
tem a função de corda, caso caia alguém ao mar.
A característica principal do traje feminino são as sete saias que têm
uma razão de ser. É que sempre que estava a chover e elas iam esperar os
maridos à praia. Colocavam uma saia por cima da cabeça e as outras por
baixo para resguardar da humidade, o chapéu com um ponpon e a parte
superior direita eram não só por causa do sol mas também para poder
transportar as canastras mais comodamente.
A nazarena pode também utilizar nas danças o seu fato domingueiro. E
nesse caso a diferença nota-se essencialmente pela saia de cima que é
plissada.
Existe ainda um outro elemento que está presente no traje nazareno e que
intervém na dança do vira. Trata-se do 'foquim’ que é feito
artesanalmente pelo pescador e que tem uma dupla função: serve para
levar o farnel para o mar e, uma vez que não vai ao fundo, em caso de
acidente, serve para avisar que houve naufrágio.
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