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No planalto mirandês existem grupos de oito homens que vestem saias e
tem paus. Dispensam apresentações. Já todos os conhecem: são os
Pauliteiros de Miranda. Com os saiotes brancos, lenços, os chapéus e os
pauliteiros transportam uma tradição que procuram defender com unhas e
dentes. E apesar de já não existirem tantos grupos como antigamente. As
letras, os passos e os trajes ainda se mantêm fiéis à origem.
Mas o mais óbvio é perguntarmo-nos: de onde vem esta tradição? A origem
não está definida. Contudo, há quem defenda que se trata de uma dança
guerreira, que descende de tempos Greco-romanos e que os homens foram
adaptando e transformando á sua maneira. Segundo este ponto de vista, os
paus mais não são do que a substituição do escudo e da espada. É por
isso que o pau da mão esquerda defende e o da mão direita ataca. Quanto
ao traje, o lenço mais não é do que um adorno, bastante garrido, que
varia consoante o homem que o usa. E no que diz respeito à saia, ainda
hoje, quando chega o momento da “dança da velha", hábito típico do dia 1
de Janeiro em Vila Chã, os homens se vestem de mulheres e vão para a
rua. Pegam na "dianteira”, que é uma faixa em linho que envolve a cama e
colocam-na à sua volta. A dança de paus mais típica e tradicional é a
“capanitas de Toledo". É uma canção que não nega a forte, influência
espanhola. Influência essa, que é evidente no fado das letras das
canções surgirem no dialecto mirandês ou na língua espanhola. A letra
desta canção fala das igrejas importantes de Espanha e também da
gastronomia, que seriam possivelmente dois motivos de interesse das
pessoas da região: os belos monumentos e os fartos enchidos. É uma dança
onde não faltam as principais maneiras de bater os paus: pau picado",
(bate no próprio pau antes de bater no do colega) “pau por baixo” (da
cintura) e “pau por cima".
Apesar de à primeira vista aquelas danças de homens não parecerem seguir
qualquer princípio rígido senão o do bater dos paus, há regras que devem
ser seguidas. Cada um deles tem no grupo uma função muito própria e
única. Em cada dança é obrigatório existirem oito homens, entre eles
dois guias direitos e dois guias esquerdos, dois peões direitos e dois
peões esquerdos. Os guias movem-se nas pontas e dançam frente-a-frente;
Os peões circulam no meio. O guia direito tem um estatuto um pouco
diferente dentro do grupo, pois assume a responsabilidade da dança e,
antigamente, comandava o grupo que nos dias de S. Sebastião e Santa
Bárbara, andava pela aldeia a pedir esmola e a dançar.
Nessa altura todas as aldeias tinham pauliteiros. Nem todos os homens
dançavam, mas escolhiam-se os mais ágeis e com “melhores” pés. Os mais
novos não têm problemas em aderir. No inicio, os paus assustam um pouco,
mas bastam oito dias de treinos diários e o 'milagre’ acontece. Não sem
antes levar umas boas 'pautadas" nos dedos, claro está!...
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