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As danças tradicionais populares entraram nos hábitos do povo
devido aos mais variados contactos e influências, enraizando-se pela via
das aculturações, recebendo dele o cunho do meio ambiente da sua
personalidade em conformidade com o local onde estava inserido.
Normalmente, quando falamos de danças populares, lembramo-nos das que
eram usadas nas romarias, a caminho e no regresso das mesmas, nos
terrenos aos domingos de tarde, nas noites de escapadelas, esfolhadas ou
estonadas, espadeladas, esfarrapadas,
malhadas e outras
manifestações de divisão ou de trabalho rural, relegando-se para o
esquecimento sectores sociais mais recuados ou mais recentes que fizeram
época, tendo os primeiros fornecidos bases muito valiosas de que se
serviam as gentes das aldeias para a sua encantadora, mas simples e
involuntária criatividade, que designamos por aculturações.
As pessoas dos nossos meios rurais sustentavam, transformavam,
divulgavam e projectavam os usos e costumes dos seus
antepassados, no sector das danças e dos
cantares, sem saberem
que o faziam. Eram as suas principais diversões e ocupavam uma larga
parcela da sua maneira de estar, de ser e de viver. E quanto mais
isolados fossem os meios, mais necessidade havia desse tipo de
exteriorização e mais continuidade tinham os hábitos tradicionais
ligados de geração em geração vindos muitas vezes do mundo incógnito da
ancestralidade.
Dos referidos sectores sociais que influenciaram decisivamente as gentes
humildes das nossas aldeias e até regiões. Foram,
indubitavelmente, os palácios, conventos, emigrações, guerras e outros
contactos com o exterior.
As festas palacianas, mercê da sua grandiosidade, despertavam as
atenções dos jovens em condições humildes que, sempre que podiam, não
resistiam a dar uma espreitadela contempladora daquelas caras mimosas e
daqueles passes de dança muito bem ensaiados, recheados de cortesia e
elegância.
Tais observadores eram obrigados a escolherem locais seguros de onde
ninguém os visse.
Enquanto as festas decorriam nos salões, por vezes até o romper do dia,
também a criadagem, nas cozinhas ou outras dependências da mesma área,
ao som dos acordes musicais que ouviam lá de dentro, tentavam imitar os
«senhores», tendo quase sempre como orientadores coreográficos os
criados de sala, únicos que tinhas acesso ao local da festa e podiam
observar minuciosamente todos os pormenores das danças. |