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Chula Amarantina; Chula de Santa Cruz; Barqueiros e "Paus”. Estas são
apenas algumas das versões da ‘chula' que percorre as margens do Douro e
se estende até ao Minho. Atrai para os átrios das igrejas, os que gostam
de bailar e sempre que chega o Natal, aproveita-se para comemorar com
umas "chulas".
Pedro Homem de Mello caracterizou-a como uma "dança complicada, rica e
subtil onde certos saltos evocavam modas escandinavas." Houve tempos em
que os trabalhos agrícolas, como as mondas, as desfolhadas ou as
espadeladas do linho eram pretexto suficiente para puxar da concertina,
da viola ou da rabeca e dar ritmo aos movimentos. Eram serões animados
pelas modas criadas à medida do carácter do minhoto, para quem "dança" é
impreterivelmente sinónimo de alegria. As próprias letras das canções
fazem a isso referência e, se alguém tiver duvidas, basta ouvir com
atenção um excerto da 'chula d' Areosa": 'hei-de cantar hei-de rir;
hei-de ser muito alegre; hei-de mandar a tristeza; pró diabo que a
leve...
As romarias eram outro bom pretexto para se dançar as 'chulas". Eram
criadas com letras e coreografias um pouco diferentes consoante a
localidade em que surgia. Mas cada freguesia defendia a sua, com brio e
vaidade. É igualmente uma dança de roda, mas o porquê do nome não está
esclarecido. Hoje os serões minhotos são preenchidos de forma diferente.
Os processos mecanizaram-se e a intervenção do homem nas tarefas
agrícolas foi minimizada. Agora, quem dança as 'chulas' são os grupos
folclóricos que foram surgindo ao longo dos anos, trajados á moda do
Minho e ornamentados com as relíquias em ouro.
As chulas são as únicas rainhas das danças do norte. Descemos ao Baixo
Minho e entramos na reino dos "malhões', o ambiente é de folia e
animação. É conhecido como "malhão velho'. 'malhão minhoto' ou
simplesmente "malhão". A dança começa quando os pares dispostos em
círculo, se voltam para dentro dando a direita à moca. Depois de irem
dançando em 'passo de chula", e de o mandador dar ordem, eis que se
inicia o "voltear". É executado em cinco tempos, durante os quais os
pares volteiam sobre si em passos mais largos. No final deste movimento
surge o característico "pulo" a 'pé-coxinho".
Para alguns interessados nestas matérias, esta será uma dança campestre
que terá surgido no distrito do Porto. O nome de "malhão" terá tido
origem em algum instrumento agrícola e nos tempos em que era dançado nas
aldeias, tinha uma coreografia diferente, mulheres e homens dispunham-se
em fila, frente a frente. Iam-se aproximando e afastando sucessivamente
e batiam o ritmo com os pés. O fim da dança acontecia quando todos
fechavam a roda e pulavam. Curioso é, no entanto, o testemunho dos
mesmos autores para os quais a dança tomou um rumo e uma conotação
bastante diferente depois de ter passado do campo para a cidade, pois
dizem que a dança foi “adoptada nas orgias e bacanais do povo rude".
Porém, esse significado foi ultrapassado e hoje o "malhão" é dançado sem
preconceitos.
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