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“Serração da Velha” realiza-se tradicionalmente durante a Quaresma, mais
precisamente na quarta-feira de Cinzas e á semelhança de outras
tradições do Norte de Portugal como o “Enterro do Bacalhau” e a “Queima
do Judas” têm provavelmente origens comum, assentando na mudança de
estação do Inverno para a Primavera, simbolizando a luta do dia e da
noite, da luz e das trevas ou a morte do Inverno.
O
singular costume da “Serração da Velha” tem, portanto, que ser entendido
como a cerimónia do expulsar do Inverno, como o “Enterro do Bacalhau”
servia para festejar o fim do jejum da Quaresma. Era por isso uma
ocasião do povo extravasar a alegria do momento.
Sabe-se que no passado o ritual consistia num desfile pelas ruas em que
se transportava num carro de bois um cortiço (onde supostamente a velha
seria serrada) e um grande boneco simbolizando a velha. As gentes
acompanhavam o cortejo e iam cantando "Serra a velha, Serra a Velha... "
pelo caminho interpretavam-se alguns quadro humorísticos.
Desnecessário será dizer que enquanto decorria a brincadeira nenhuma
velha aparecia na rua e nem sequer assomava à janela. Sucedia que às
vezes a velha era “gaiteira” e não se limitava a ouvir, saía à rua e
respondia às diatribes dos rapazes. Aí o espectáculo ganhava outra vida
mas, não raras vezes, os rapazes abandonavam o local vencidos por não
terem argumentos para o discurso jocoso e às vezes picante da velha.
Noutras ocasiões, os moços topavam com uma daquelas velhas bravas de que
nos fala o Fernão Lopes: que “barafusta, grita, atira pedras, insulta,
despeja água e às vezes porcarias...” Quando isso acontecia, era a
debandada total. E iam então pregar a outra freguesia.
A
"Serração da Velha" foi ao longo dos tempos sendo adulterada pelos povos
e, hoje em dia, as poucas localidades que mantêm esta tradição,
apresentam uma grande disparidade na forma e conteúdo deste ritual.
Há quem afirme, no entanto, que a Vestiaria tem sabido manter esta
tradição muito próximo da forma como se realizava no passado, sendo por
isso uma das mais genuínas do país, embora tenha deixado de ser
interpretada na rua (porta a porta) como foi no passado. A Vestiaria
orgulha-se de possuir actualmente uma comissão responsável por manter
esta tradição e de zelar para que os textos e cantares associados a esta
tradição se mantenham inalterados.
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