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»» Usos e Costumes »» Carreço

Serração da Velha (*)

 

Esta tradição, muito antiga e de origem pagã, não é exclusiva de Carreço. Após alguns anos de “pausa”, a Ronda Típica resolveu reavivar esta tradição, reunindo no centro da Freguesia jovens e menos jovens.

 

A Serração da Velha realiza-se na noite de quarta-feira que precede o terceiro domingo da Quaresma, chamado domingo “laetare”, por antigamente, quando a missa era celebrada em latim, começar assim o salmo da entrada. Era uma espécie de pausa no rigor do jejum e da penitência quaresmal.

 

Pensa-se que a velha está relacionada com um casal que não tinha herdeiros e optou distribuir os seus bens pelos jovens da Freguesia.

 

Para a Serração, eram necessários dois espantalhos, representando um casal de velhos, um testamento e uma algazarra ao som dos tambores, latas velhas e zaquelitraques que eram feitos de rapares. Os velhos podiam celebrar algum acontecimento menos decoroso ocorrido na freguesia. Os versos, tanto para os rapazes como para as raparigas, pretendiam denunciar defeitos pessoais.

 

No início da Quaresma, os rapazes juntavam-se na Fontainha e faziam barulho até ao dia da Velha com búzios ou corno no monte.

 

Preparados os espantalhos com armação de madeira, cobertos com roupas velhas, colocam-nos numa penha, percorrendo o lugar ao som de latas velhas, de zaquelitraques e de búzios. Chegados ao largo, apeiam a velha e lêem o testamento. Finalmente, é queimada a velha.

 

É esta a tradição que a Ronda Típica de Carreço resolveu reavivar. Pelo quinto ano consecutivo, a velha voltou a percorrer os caminhos da freguesia e os zaquelitraques voltaram a ser ouvidos. Sem dúvida, reavivando a memória dos mais antigos e transmitindo a cultura popular carrecense aos mais jovens, criando momentos de alegria nas noites de Quaresma. É que, durante semanas, a Serração da Velha é preparada e aguardada com entusiasmo e o momento culminante desta tradição.

 

Anualmente, a freguesia volta a reunir-se no largo da cabine para ouvir o que a Velha deixou em testamento às jovens dos nossos dias, com os zaquelitraques a aquecer as frias noites do início da Primavera.

       (*) http://r-t-c.planetaclix.pt/outros_festejos.htm

 

 


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