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“SARRAÇÃO” DA VELHA
 
 
 

A "Serração da Velha” é um antigo costume carnavalesco da região Sul do Ocidente Europeu. Este ritual tem proporções verbais que significa o enterro do Inverno e início da Primavera.

É uma tradição popular que ocorre na quarta-feira da terceira semana da Quaresma, marcando um interregno lúdico neste período do calendário religioso. Em Viana, encontramo-la em Afife, Carreço, Ponte de Lima e Darque, entre outras, com algumas pequenas diferenças no seu ritual.

Em Afife, podemos assistir a este cortejo. É transportado um boneco (Velha) confeccionado com papel de seda de várias cores, iluminado com velas de estearina e colocam-no sobre uma padiola. Associado a esta festa e usado exclusivamente nela, há um instrumento musical, o triquelitraque, que produz um som característico, parecido com uma gargalhada, que muito contribui para o ambiente geral de sátira. Além do triquelitraque, apenas durante o cortejo, são usados outros instrumentos, conforme a freguesia: é o caso da rela e do corno.  

A “Sarração” como é conhecida em Afife, transforma-se num momento de encontro da comunidade, uma vez que é fomentada a participação de todos, inclusivamente da própria velha (uma pessoa idosa da freguesia, conhecida por todos) representada num boneco que, no dia da sua queima, percorre as ruas da freguesia, para ser queimada numa cerimónia em que é lido o seu testamento, um documento satírico, carregado de alusões à vida das pessoas da freguesia e aos acontecimentos mais importantes do ano.

Ao longo da “sarração”, o som do triquelitraque é um dos elementos mais característicos, que acompanha os diferentes passos: no início, na quarta feira de cinzas, anuncia que se está a preparar a cerimónia, depois, no dia da “sarração”, acompanha o cortejo e a leitura do testamento. A cada um destes momentos corresponde um toque específico: a marcha (2 batimentos médios – 3 rápidos – 2 médios) é tocada nos cortejos de peditório e no dia da “sarração”; o esgalha (3 batimentos rápidos – pausa – 3 rápidos) no peditório, como agradecimento e a sarra (3 batimentos médios – pausa pequena – 3 batimentos médios), tocado no auge da festa, durante a leitura do testamento e na queima da velha.
 

Fonte
 
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