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(continuação...)
Segundo Alfredo Carvalho, que apesar dos seus mais de oitenta
anos ainda acompanha o grupo, “as pessoas que nos ouviam punham também à
janela uma candeia ou uma vela acesa”. Hoje “convidam-nos a entrar em
suas casas e oferecem-nos uma fatia de bolo, um copo de vinho ou bagaço
para afinar a voz, e a gente agradece, porque as noites ainda estão
muito frias”, diz Augusto Gouveia.
A rua da lagoa, o tronco, o pelourinho ou o barranco, são
alguns dos pontos obrigatórios desta ronda nocturna, que se estende
muitas vezes até às duas da madrugada para fazer chegar a encomendação a
toda a aldeia.
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“Os versos são muito antigos, foram os nossos pais e os nossos
avós que no-los ensinaram, porque, desde novos, nos juntávamos a eles e
fazíamos por aprender estas coisas”, recorda José Carlos Brinco.
No entanto, receiam que a tradição acabe por se perder,
porque, lamenta-se Ascensão Vicente, “ao contrário da nossa, a geração
de agora não quer aprender nada disto, os jovens já não põem fé a nada”.
Mas este ritual da “Encomendação das Almas”, que ainda vai
sobrevivendo, não o faziam apenas em Algoso, deslocavam-se muitas vezes
às aldeias vizinhas, como Vale de Algoso, ou mesmo à vila de Vimioso,
“sempre que havia vagar”, conta Augusto Gouveia, que começou a
participar nesta tradição aos dezanove anos.
Mas Algoso, que conserva ainda um invejável património
arquitectónico, tem outras tradições quaresmais, como aquela que se
realiza na Quinta-feira Santa e que leva os mais devotos a visitar todos
os lugares sagrados da aldeia.
Cada um dos pequenos santuários é adornado de colchas brancas
e flores pelas zeladoras e, ao início da tarde, individualmente ou em
pequenos grupos, visitam, uma a uma, todas as capelinhas, num compasso
onde as orações são ponto obrigatório. As Igrejas da Misericórdia, S.
Roque e S. João são alguns dos santuários da visita, que termina na
capelinha da Nossa Senhora do Castelo.
Fonte
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