|
A queima do
madeiro ou do cepo
Em praticamente toldas as províncias do País se verifica a tradição do
fogo da lareira familiar, alimentado por um enorme toro de madeira, que
no Minho tem o nome de Canhoto, enquanto nas restantes regiões lhe
chamam madeiro ou cepo.
Conforme a
tradição, é preferível que o cepo seja de oliveira, árvore da paz, por
ser dessa madeira a cruz de Cristo. Por outro lado, associam-se-lhe
tradições profanas, pois que quanto mais grosso ele fosse mais gordo
seria o porco para a matança do ano. Além disso, também se lhe atribuem
poderes sobrenaturais, pois que os restos que não arderem serão
guardados para com eles se preservar o lar das trovoadas e outras iras
divinas. E para provar esta regra muitas lendas dramáticas se narram
contra aqueles que violam a tradição e a crença do povo.
No fundo, a
incineração do madeiro ou cepo não é mais do que a revitalização do fogo
simbólico originário do rito pagão, que nos adros das igrejas e capelas
crepita, abrasivo e luminoso, por entre os grupos de jovens que lhe
dedicam inúmeras quadras do vasto cancioneiro natalino.
José Carlos Vilhena Mesquita |
|