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O Presépio
A
origem dos presépios remonta a São Francisco de Assis, que teve a genial
ideia de fazer reviver, através da arte popular(*), as cenas bíblicas directamente relacionadas com o nascimento de Cristo.
Em si mesmos, os presépios
constituem uma lição viva de fraternidade, amor e humildade.
Compõem o presépio, a
Sagrada Família, os Reis Magos e a respectiva cascata com a manjedoura e
os animais que aqueceram o Menino. No entanto, o gosto popular acentuou
este enternecedor quadro litúrgico com o acrescentamento de centenas de
outras figuras da sua própria existência socioeconómica, como é o caso
dos gaiteiros, moleiros, moinhos, açougueiros, pastores, ferreiros,
sapateiros, sem esquecer naturalmente a tradicional cena da matança do
porco. Aliás, convêm lembrar que o nosso país é tradicionalmente
ceramista, rico em valores artísticos, alguns deles florescendo em
grupo, como são exemplo as escolas de Lisboa e de Mafra. Com especial
relevo para os discípulos de Machado de Castro. Na Estremadura as
igrejas locais pugnavam pela realização de maravilhosos presépios e
rivalizavam com os de Coimbra, Aveiro, Viseu e Lamego, igualmente
notáveis pela majestosidade e profusão das suas figuras.
Armados nas igrejas,
expostos admiração e culto dos povos, os presépios funcionam ainda hoje
como principal atractivo religioso para a Missa do Galo. Pena é que nas
residências particulares se vá cedendo à importação profana das
escandinavas árvores de Natal, que nada tem de católico nem de latino. O
mesmo se verifica com essa figura pouco significativa que é O Pai Natal.
Igualmente originário das regiões rígidas do Norte da Europa.
José Carlos Vilhena Mesquita
(*) No
século XIII, mais precisamente no ano de 1223, S. Francisco de Assis
decidiu celebrar a missa da véspera de Natal com os cidadãos de Assis de
forma diferente. Assim, esta missa, em vez de ser celebrada no interior
de uma igreja, foi celebrada numa gruta, que se situava na floresta de
Greccio, que se situava perto da cidade. S. Francisco transportou para
essa gruta um boi e um burro reais e feno, para além disto também
colocou na gruta as imagens do Menino Jesus, da Virgem Maria e de S.
José.
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