|
|
«O Natal era a festa mais importante do
ano. Ela era preparada pelo Advento, que se estendia por quatro domingos
sucessivos. Visto ser um período de oração e de penitência, as quartas e
sextas do Advento eram de abstinência de carne. (...)
A véspera de
Natal decorria em grande azáfama por causa dos preparativos para a
festa: na igreja, montando o presépio e enfeitando o templo; em casa
fazendo as limpezas e cozinhando a doçaria. O momento alto chegava com a
consoada. Era a festa da família. Pais, filhos, netos juntavam-se em
volta da mesma mesa, enfeitada e recheada, para afirmarem e fortalecerem
a sua união. (...)
|
|
A seguir á
ceia natalícia, era costume antigo as pessoas celebravam o nascimento de
Jesus com entremeses (Vila Nova de Fozcoa), autos (Freio de Espada à
Cinta), ramos e representações (Mirandela)...(...)
À meia-noite
começava a Missa do Galo. (...)
O ambiente
simultaneamente de festa e de partilha que caracterizava o período de
Natal permitiu que nascesse a tradição de cantar os Natais, as Janeiras
e os Reis. Só a data e as quadras iniciais é que mudavam: os Natais, de
24 a 31 de Dezembro, acentuando o nascimento de Jesus; as
Janeiras, nos
primeiros dias de Janeiro, sublinhando o desejo de um bom ano; os
Reis,
de 5 a 21 de Janeiro, reportando-se à visita dos Reis Magos. O espírito,
contudo, era sempre o mesmo. Os três anunciavam o nascimento de Jesus e
lhe cantavam loas ao ar livre, exaltavam as pessoas visitadas, a quem
desejavam boas festas e a quem se pedia, finalmente, em paga, um
presente. Quando completo, o rito compunha-se de vários momentos:
saudação inicial e gáudio litúrgico, loas às pessoas da casa, peditório
e despedida. (...)
Finda a
cantoria, os patrões abriam as portas da casa e presenteavam-nos com
bolos, figos secos, passas, castanhas, maças, pêras de Inverno, vinho de
consumo e tratado e, por vezes, até presunto e salpicão. (...)»
(*) Fonte: ALTO
DOURO, terra de vinho e de gente -
A vida quotidiana alto-duriense no primeiro terço do séc. XX -
A.L. Pinto da Costa
Edições Cosmos, Novembro de 1997, pág.189 a 196.
|