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Seguem-se os homens que ostentam bandeiras engalanadas e archotes
em ignição, como que a abrirem caminho aos Reis Magos, cujas roupagens
sumptuosas e brilhantes denunciam a presença real. Nesta conformidade
percorrem as ruas da cidade até à Igreja de S. Bartolomeu, em cujo adro
se representa um auto popular alusivo ao carácter festivo da própria
comemoração. Por fim, procede-se ao leilão das oferendas, após o que o
pároco dá o Menino a beijar.
Na pacata localidade de Tentúgal, o cortejo
é precedido por numerosos gaiteiros e clarins que duma forma ruidosa e
alegre se anunciam a aproximação do desfile. Este é encabeçado por um
arauto, logo seguido por uma estrela brilhante e majestosa alusiva
àquela que guiou os Reis Magos até Belém, e um pouco mais atrás desfilam
as três altezas reais com as respectivas oferendas de ouro, incenso e
mirra, que se fazem acompanhar pelos seus pajens e pelo numeroso público
presente.
Após percorrerem as ruas da povoação
dirigem-se à aldeia de Ribeira de Frades, de onde regressam a Tentúgal
para confraternizarem em simultâneo com o povo de ambas as localidades.
No fundo, trata-se de um cortejo de carácter
religioso, mas nem por isso menos importante do ponto de vista
etnográfico, que merece ser preservado e minuciosamente estudado.
José Carlos Vilhena Mesquita |