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A Ceia Grande ou Consoada
Normalmente
designada por festa da família, por se reunir à mesa a maioria dos
familiares, era costume realizar-se a consoada depois da Missa do Galo.
Contudo, hoje, essa tradição já se vai perdendo devido ao desuso das
antigas ceias. E na composição das ementas é que se constatam algumas
heterogenias de carácter antropológico resultantes das assimetrias
sociogeográficas.
Assim, enquanto
no Minho predomina o bacalhau cozido com batatas, ovos e tenros,
“tronchos” de “coivão” da horta, em Trás-os-Montes, no Centro Litoral e
no Alentejo assa-se o leitão ou come-se um lauto assado de porco, regado
com bom vinho novo.
Por sua vez, na
Estremadura, no
Ribatejo e nas ricas casas beirãs, come-se o tradicional
peru recheado de acepipes saborosos, enquanto no
Algarve nos deliciamos
com o lendário pitéu da carne de porco com amêijoas e linguiça assada,
prato este já caído em desuso mercê da aculturação turística do peru.
Paralelamente
ao “presigo”, as mesas, os armários e escaparates, estão repletos de
doçarias de toda a espécie, variando igualmente de região para região.
Por exemplo, no Minho os «mexidos» arabescados com canela da Índia,
assumem posição de destaque, logo acompanhados pelas deliciosas
rabanadas ensopadas no mel doirado, pelo leite-creme crestado com açúcar
caramelizado, pelos pratos de aletria, pelo pão-de-ló e bolo-rei, este
ultimo já importado desde há longa data.
Nas Beiras
confeccionam-se filhós estendidas. fatias-douradas, coscorões, bilhós,
pães-leves, merendas, bicas e arroz-doce. No Douro, comem-se rabanadas,
formigos, mexidos, sopas secas, ovos queimados, sonhos, arroz-doce,
aletria, figos, uvas-passas e vinho quente. No Ribatejo tem especial
relevo o bolo-podre, as broas, os bolos de gema e as azevias compostas
por grão, arroz-doce e filhós.
No Alentejo
saboreiam-se as filhós, azevias, sonhos, borrachos e os nogados, à base
de nozes, amêndoas ou pinhões misturados com mel. Finalmente, no Algarve,
apreciam-se doirados fritos escorrendo mel, filhós, bolinhóis,
empanadilhas de batata-doce, figos, pinhões e nogado.
Como facilmente
se depreende, é ao nível da doçaria que as diferenças se acentuam, se
bem que a gastronomia seja igualmente um indício da personalidade do
nosso povo. Mas passemos adiante.
José Carlos Vilhena Mesquita
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